MUNDO TEIXEIRINHA – Edição 8

novembro 25, 2007

Nesta semana a matéria chegou antes do “Mundo Teixeirinha”. Também pudera! Com a correria do final do ano letivo e com tantas mensagens pra responder, gastei mais tempo preparando o “Mundo…” do que o texto semanal. Bem, mas foi muito bom, porque é sempre uma honra responder os recados que me deixam. Sendo assim, vamos à oitava edição do “Mundo Teixeirinha”!

Última Tropeada

Bem, na semana passada eu esclareci a história da remasterização do disco “Última tropeada”. Pois há alguns dias recebi um e-mail do amigo Nilton José Tavares confirmando as informações aqui divulgadas: o LP foi mesmo digitalizado, mas já não se encontra mais a venda.

Entrevistas e reportagens

O Roberto deixou um recado nesta semana dizendo que possui reportagens e entrevistas de Mary Terezinha e Teixeirinha em revistas (ele cita “O Cruzeiro”). Evidentemente, fiquei interessado nestas matérias e gostaria de saber se existe alguma forma de obtê-las (em fotocópia ou então escaneadas, por exemplo). Roberto, meu e-mail para contato é: chicocougo@gmail.com

Filhos e filhas de Teixeirinha

Teixeirinha dizia que música e filhos foi o que mais fez. Pois bem, nesta semana o Antonio Candido perguntou quais são os nomes dos filhos e filhas do cantor. A lista é um tanto longo, mas lá vai: Shirley (filha de Idalina Ribeiro da Silva); Vitor Filho e Líria (filhos de Maria Ezi); Margareth, Elisabeth, Fátima e Márcia (filhas de Zoraida Lima Teixeira); e Alexandre e Liane Ledorina (filhos de Mary Terezinha). No total são nove filhos, dois homens e sete mulheres!

Paulo Sérgio in Memorian

Nesta semana que passou, conheci Gilberto Ivo, um cearense apaixonado por música e que mantém um site muito interessante sobre o cantor Paulo Sérgio. Pra quem não sabe, Paulo Sérgio surgiu para o sucesso em 1968, quando seu primeiro LP estourou nas vendas alavancado pelo sucesso “Última canção”. Depois disso, o cantor gravou mais 13 discos de longa duração, alcançando sucesso em todos. Infelizmente, Paulo Sérgio morreu precocemente em 1980. Porém, sua legião de fãs permanece crescendo a cada dia, assim como no nosso Teixeirinha. Bem, uma história destas merece mesmo um site e o endereço da página “Paulo Sérgio In Memorian” (mantido por Gilberto Ivo) é http://www.paulosergio.rg.com.br/

Última imagens

Há duas semanas a Rose me pediu as últimas imagens de Teixeirinha. Bem, as últimas imagens do cantor seriam aquelas de seu próprio velório, ocorrido no dia 5 de dezembro de 1985. No entanto, creio que estas imagens não são as melhores e que o mais pertinente é vermos Teixeirinha em vida e fazendo o que mais gostava: cantando. Então, depois de uma batalha incrível para conseguir um programa que capturasse imagens a partir de vídeos, consegui estas fotos. São imagens do último show de Teixeirinha, realizado no Bailão do Tio Santos, em Gravataí. A apresentação ocorreu em agosto de 1985 e o cantor esteve, nesta ocasião, acompanhado das filhas Margareth, Márcia e Elisabeth e dos respectivos genros. Nestas fotos, Teixeirinha já estava bastante abatido pelo câncer. As imagens foram captadas do Galpão Crioulo de agosto de 1985 (Arquivo RBS TV). Para ampliar as imagens, basta clicar sobre elas.


Agradecimentos

A lista desta semana está cheia! Vamos lá, então! Muito obrigado à colorada Rozélia Baptista (beijos pra ti!), Dorvacira Teixeirinha (muito obrigado!), ao amigão Nilton José Tavares, Roberto (aguardarei teu e-mail), Mery (estou enviando uma foto bem bonita para o teu e-mail!), Antonio Candido, Elci, Rose, Luis Teixeira, Gilberto Ivo e a todos os que acessam o blog semanalmente! Muito obrigado!

Jorge Camargo

E agora a aguardada matéria sobre a pesquisa que venho desenvolvendo há alguns meses para levantar informações sobre Jorge Camargo. Com vocês, ELE GRAVOU TEIXEIRINHA E AGORA É LEMBRADO!, mais uma matéria super especial do Revivendo Teixeirinha. Até a semana que vem!


ELE GRAVOU TEIXEIRINHA E AGORA É LEMBRADO!

novembro 24, 2007
Agora temos imagens de Jorge Camargo, o cantor que mais gravou músicas inéditas de Teixeirinha

Como todos sabem, este blog é dedicado a Teixeirinha. No entanto, o “Rei do Disco” não foi o único cantor gaúcho a brilhar no cenário artístico nacional e, tampouco, foi um artista “acima do bem e do mal” incapaz de se relacionar com seus companheiros de profissão. É por este motivo que, às vezes, precisamos relembrar outros artistas, suas músicas e suas histórias.
Há mais ou menos dois meses atrás, publiquei um texto intitulado “Ele gravou Teixeirinha, mas foi esquecido”. Nele, tentei contar a história de Jorge Camargo, um cantor praticamente esquecido nos dias de hoje, mas que, no passado, foi um dos que mais gravou músicas compostas por Teixeirinha. Na época, quase nada era conhecido sobre a história de Camargo. Não obtive nem mesmo uma imagem que ilustrasse o texto!
Entretanto, meus sempre solícitos amigos me ajudaram a mudar um pouco este quadro desolador. Dias depois da publicação da matéria, comecei a receber materiais e informações diversas sobre Jorge Camargo. Os parceiros Arnaldo Guerreiro, Claudiomar de Oliveira e Nilton José Tavares – para os quais deixo registrada minha total gratidão – trouxeram vários dados sobre a carreira do artista. Por uma questão de reverência ao cantor, nas linhas a seguir quero remontar um pouco desta história.
É bem verdade que algumas questões ainda permanecem uma incógnita. Quando Jorge Camargo nasceu? Onde? Não é tão simples encontrar informações como estas. O que se sabe é que Camargo provavelmente não teve uma carreira muito longa. Estimo que ele tenha se projetado nacionalmente no início dos anos 1970. Esta hipótese se baseia na data de seu terceiro LP, lançado em 1977, pela gravadora Copacabana. O raciocínio é lógico: se no fim daquela década ele já gravava discos em uma companhia nacional, é provável que sua carreira tenha se iniciado cerca de dez anos antes.
Baseado em informações de quem possui discos do cantor, posso afirmar que Jorge Camargo gravou sete músicas de autoria de Teixeirinha. São elas: “Cama vazia”, “Coração egoísta”, “De tudo um pouco”, “Moça de trança” e “Surpresas da vida” – todas estas não gravadas por Teixeirinha. E ainda: “Meu pedaço de chão” e “Gaita e violão”. Aliás, segundo informações, “Gaita e violão” (gravada por Teixeirinha em 1985), foi gravada anteriormente por Jorge Camargo e, depois, por Mary Terezinha. E tudo isso antes que o “Rei do Disco” a registrasse em disco.
Além das informações artísticas, recebi alguns dados bastante interessantes sobre a trajetória pessoal de Jorge Camargo. De acordo com os dados levantados, Camargo surgiu de forma modesta – cantando em pequenas apresentações – e foi auxiliado por vários artistas. Teixeirinha teria o ajudado, cedendo-lhe algumas de suas composições para que fossem gravadas. Jorge Camargo, contudo, era ambicioso. Gravou seus primeiros discos e, tão logo alcançou projeção, começou a “desafiar” a supremacia de Teixeirinha. Talvez Jorge acreditasse que podia superar o “Rei do disco” em vendagem e popularidade, como o meteórico José Mendes quase fizera alguns poucos anos antes.
Se houve embate direto entre Teixeirinha e Jorge Camargo não se sabe. Alguns colecionadores dizem que Teixeirinha teria dedicado certas músicas ao opositor. Há quem acredite, por exemplo, que a composição “Meu ex-amigo” (“Última gineteada”, 1974) é um recado de Teixeirinha a Camargo. Como já foi dito em outra ocasião, em sua autobiografia, Mary Terezinha também afirma que Teixeira e Camargo andaram se estranhando, e que o “Gaúcho Coração do Rio Grande” teria incentivado um boicote ao cantor na Copacabana. Até aí dúvidas e mais dúvidas.
Mas, eis que surgem também as primeiras certezas! Em primeiro lugar, vamos aos dados referentes ao declínio de Camargo. Segundo as informações que recebi, além da antipatia de alguns importantes artistas do Sul, Jorge Camargo conquistou ainda a rejeição do público em geral quando a verdade de que era homossexual veio à tona. Mas, ao que parece, não havia a mínima condição para que este fato fosse ocultado, pois as atitudes do cantor não deixavam dúvidas.
Num Estado preconceituoso e que cultua a imagem perene do gaúcho macho (aquele mesmo da “bala no bucho e do buraco mais embaixo”!), não restou espaço para um artista (regionalista) gay. Cantar músicas que falassem de amor e das noites de ternura ao lado da mulher amada tornou-se impossível para Camargo. É de se imaginar a rejeição enfrentada por este artista na mídia, entre os artistas e, principalmente, em relação ao público.
Não sabemos detalhes, mas depois que as preferências sexuais de Jorge Camargo tornaram-se conhecidas, ele parece não ter gravado mais discos. Até os anos 1990, trabalhou como radialista, comandando programas em Porto Alegre. Entretanto, no início desta mesma década, Jorge Camargo teve seu momento mais triste: depois de brigar com um de seus companheiros, ele foi assassinado no próprio apartamento, na capital. Não sabemos o nome do assassino e nem mesmo de que forma deu-se o crime. Tudo o que podemos afirmar é que Jorge Camargo já não era mais um grade nome de nossa música.

Jorge Camargo em 1977

Em 1999, a EMI-Brasil relançou uma considerável parcela das gravações de Camargo em CD. Na série “Raízes dos Pampas”, Jorge Camargo voltou ao mercado fonográfico num disco póstumo que, infelizmente, já está fora de catálogo. Provavelmente, esta foi a última vez em que este artista teve suas músicas relançadas. Tomara que seus discos sejam remasterizados em breve e que possamos saber ainda mais desta história muito interessante. Bem, ao menos os primeiros passos já foram dados!

Com a colaboração dos amigos Arnaldo Guerreiro (Albufeira, Portugal), Claudiomar de Oliveira (Canguçu, RS) e Nilton José Tavares (Dois Irmãos, RS).


MUNDO TEIXEIRINHA – Edição 7

novembro 17, 2007

Mais um final de semana corrido e mais um atraso na postagem aqui no blog. Mas, o atraso foi pequeno e, tenho certeza, de que valeu a pena esperar. Estou cheio de novidades e agradecimentos. Vamos lá!

Última tropeada

Na semana passada a Ana Lúcia Lopez quis saber onde pode encontrar o CD “Última tropeada”. Respondi que este disco não foi remasterizado e que ela não conseguiria adquiri-lo. Porém, conversando com o amigo Claudiomar de Oliveira, ele me advertiu que este LP foi sim digitalizado. Na verdade, o disco foi lançado em CD nos anos 1990, quando a gravadora ES Discos de Porto Alegre relançou toda a obra de Teixeirinha gravada pela Copacabana. Até onde sei, a coleção lançada pela ES enfrentou problemas com direitos autorais e, por isso, a Editora Internacional Teixeirinha continua considerando o “Última tropeada” um LP inédito. De qualquer forma, o disco está esgotado. Pretendo, em breve, falar sobre ele no quadro “Discografia comentada”.

Imagens finais

Se tudo correr conforme o esperado, na próxima semana quero trazer fotos da última apresentação de Teixeirinha na televisão. O pedido foi feito pela Rose, que quer ver as últimas imagens do cantor em vida. Ainda não sei a apresentação na TV foi a última vez em que Teixeirinha foi filmado/fotografado. Porém, com certeza é uma das últimas.

Gildo X Teixeirinha

Falei tanto dos duelos entre Gildo de Freitas e Teixeirinha, mas acabei devendo uma listagem completa das composições em que um cita o outro. Na lista abaixo, procurei pôr a música de um e a resposta de outro, lado a lado. Sei que existem divergências entre as composições que teriam sido feitas ou não para Gildo (ainda não se sabe se o “Relho trançado” era ou não uma resposta ao “Trovador dos Pampas”), mas por enquanto não há registro de outro participante da briga.

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GILDO DE FREITAS TEIXEIRINHA

Cobra sucuri (gravada por Teixeirinha) (1963) Cobra jibóia (1963)

Abre o olho rapaz (?)

Não enjeito proposta (?)

Baile de respeito (?) Baile de mais respeito (1965)

Baile dos cabeludos (?)

Resposta da milonga (?)

Cobra cascavel (1966)

Não mexa com quem está quieto (?) Foi tu que mexeu comigo (1968)

Resposta do relho trançado (?) Relho trançado (1973)

Resposta do facão três listas (?) Facão de três listas (1974)

Resposta da adaga de S Adaga de S (1979)

Dois quarenta e cinco (1982)

Resposta do cachorro velho (Censurada) Cachorro velho (1983)

Que negrinha boa (?)*

Compadre Gildo (1984)

* Quem puder ajudar com as datas das gravações originais de Gildo de Freitas, agradeço!

Agradecimentos

Nesta semana tem muita gente que merece toda a minha gratidão por terem acessado o blog deixando seus sempre bem-vindos comentários. Um grande abraço para a Cristina (fãzona de Teixeirinha lá de Pernambuco e com apenas 25 anos!), Dorvacira Teixeira (obrigado!), Tino, Rosa Elaine, Gaúcho, Taline Cunha (seja bem-vinda!), Julio Pedro Martins (sempre presente!), Luiz Fernando Durante (sinta-se a vontade para o que precisar, amigo!), Fernanda Athayde (valeu pelas informações!), Rozélia Baptista (muito obrigado!), Anna Almeida Nanni, Claudiomar de Oliveira e Arnaldo Guerreiro! A lista está crescendo!

E agora o “Revivendo Teixeirinha” traz um texto super especial e descontraído sobre uma grande polêmica. Confiram “TEIXEIRINHA: GREMISTA OU COLORADO?” Grande abraço a todos e até semana que vem!


TEIXEIRINHA: GREMISTA OU COLORADO?

novembro 17, 2007

A polêmica começou na comunidade “Teixeirinha Official” no Orkut: afinal, Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, torcia pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense ou para o Sport Club Internacional? A pergunta dividiu opiniões e eu bem que tentei respondê-la. Mas, como já era de se esperar, a rivalidade entrou em campo e resolvi trazer a peleja pra cá.
Teixeirinha era gremista. Não há a menor dúvida em relação a este fato. Quem quiser comprová-lo, vá até a Fundação Teixeirinha em Porto Alegre e veja a carteira de sócio do Grêmio, um documento pessoal do artista que esclarece a polêmica. Aliás, em minha próxima visita à Fundação, prometo trazer uma fotografia desta carteira para que todos possam vê-la.
Mas existe, ainda, uma outra evidência que põe um ponto final na polêmica: depois de morto, Teixeirinha foi velado nas dependências do Estádio Olímpico Monumental, sede do Grêmio. O fato foi noticiado pelos jornais que cobriram os funerais do cantor e deixa explícito, de uma vez por todas, qual era o time do coração de Vitor Mateus Teixeira.
Porém, se existem provas cabais de que Teixeirinha era um gremista de carteirinha (literalmente), porque a questão ainda é tão polêmica? Simples! Em pelo menos duas ocasiões, o cantor afirmou publicamente torcer pelo rival colorado! É claro que estou falando dos célebres desafios, as guerras de rimas em que Teixeirinha e Mary Terezinha engalfinhavam-se nos versos.
A primeira menção ao futebol em um desafio ocorreu há 40 anos, em 1967. No LP “Dorme Angelita” (Copacabana), Teixeirinha e Mary gravaram o excelente “Desafio do Grenal”, uma trova curiosa em que o cantor defende o Internacional, ao passo que a acordeonista declara-se partidária do tricolor gaúcho. Como em todos os desafios, neste o casal trava uma verdadeira guerra e sobram ofensas para todos os lados. Num dos versos iniciais, Teixeirinha entra de sola defendendo o lendário “rolo compressor” com sede no Beira-Rio:

Termina com a macacada
Macaco pula na brasa
Teu time ‘é’ uns frangos ‘pesteado’
Que joga arrastando a asa
Nós entrando no tambor
Cai por terra o tricolor
Nosso rolo compressor
Muita alegria tem dado

Mas Mary não deixa barato e fuzila:

O Inter vai despenando
Sai, Teixeira, credo em cruz
Frango pesteado ‘é’ vocês
O bico torto reluz
Cor vermelha é sem valor
Quando vê um tricolor
Treme a perna de temor
E põe ovo de avestruz

Neste ótimo desafio, Teixeirinha parece à vontade no papel de colorado. Porém, dois anos depois, o futebol gaúcho volta a ser tema de uma trova e, desta vez, a dupla “vira a casaca”. Em “Azul e vermelho” (“O Rei”, Copacabana, 1969), Teixeira e Mary começam parodiando o hino gremista para, depois, iniciarem a batalha:

[Teixeirinha]
Eu vou virar a casaca
Me desculpe, torcedor
Eu não era colorado
Apenas fui defensor
No verso, sou repentista
No futebol, sou gremista
Meu esquadrão tricolor

[Mary Terezinha]
Teu esquadrão tricolor
Aproveito a embalada
Eu também andei uns tempos
Com a camiseta trocada
Como me sentia mal
Meu clube é o Internacional
Eu sempre fui colorada

Depois deste desafio, foram dez anos sem falar de futebol. O retorno ao tema só veio em 1979, quando chegava às lojas o LP “20 anos de glória” (Chantecler). Nele, está a faixa “Isso que é desafio”, um dos mais frenéticos embates entre a dupla. Nesta trova, Mary e Teixeirinha discutem vários assuntos, incluindo política e… futebol! E desta vez, Teixeirinha volta a defender o colorado! Num ótimo verso o cantor afirma:

No partido PTB,
Eu fui mal interpretado
Eu não disse ser da Arena
Política deixo de lado
O meu partido é mulher
E no futebol colorado

Para complementar, Mary Terezinha marca um golaço no verso seguinte:

No futebol colorado
Bom cantor e bom sujeito
Mas diz o velho ditado
Ninguém no mundo é perfeito
Só por tu ser colorado
‘Taí’ teu maior defeito

No placar dos desafios envolvendo a dupla grenal, deu Inter. Vitória apertada, por dois desafios onde Teixeirinha defende o colorado, contra um em que ele declara-se gremista. Mas, se o cantor era mesmo tricolor, porque defendeu o “rolo compressor” do Gigante da Beira-Rio? Fui buscar informações na história dos dois clubes e formulei uma “teoria” simples, mas possível: Teixeirinha era o compositor dos desafios e, por isso, tinha o poder de escolha nas mãos, podendo ser o que quisesse em suas composições. Em época de grande evidência da dupla grenal isto pode ter feito a diferença.
No primeiro desafio, em 1967, o Internacional vivia uma de suas maiores glórias. Participando pela primeira vez do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (o “Robertão”, uma extensão da Taça Rio-São Paulo), o Inter sagrou-se vice-campeão, sendo considerado o segundo melhor time do país. No ano seguinte, repetiu o feito. Mais um ano e chegamos em 1969, quando o luxuoso Gigante da Beira-Rio era inaugurado como Estádio oficial do Internacional.
Teixeirinha estava, portanto, seguindo a maré. O Inter estava em alta e ele acabou fazendo uma “média” com a torcida colorada. Isto fica muito claro quando, num dos versos, Teixeirinha diz que “nosso rolo compressor / muita alegria tem dado”, referindo-se ao time vice-campeão do torneio futebolístico mais importante do país.
Seguindo a mesma lógica de que Teixeirinha optava pelo time que estivesse em melhor situação, vemos o cantor defender o Grêmio em 1969, ano em que o clube comemorava o heptacampeonato gaúcho, uma seqüência de títulos estaduais iniciada em 1962. Provavelmente, Teixeirinha “virou a casaca” também por conta das conquistas gremistas na Taça Brasil (65, 66, 67) e na Copa Rio de la Plata (1968), títulos que devem ter dado imensa alegria à legião de torcedores do Grêmio, incluindo o próprio cantor.
Em 1979, Vitor Mateus Teixeira retorna à defesa do Inter. Mas aí fica ainda mais fácil entender: neste ano, embalado pelo astro Paulo Roberto Falcão, o colorado conquista o tricampeonato brasileiro, desta vez de forma invicta. Era a consagração de um grande time que ficou na história do futebol gaúcho. Nada mais compreensível que Teixeirinha – o autor de sua própria música – deixasse Mary com o Grêmio e fosse partir em defesa do campeão brasileiro daquele ano.
Resumo da história: Teixeirinha era gremista, mas defendia quem estivesse mais em evidência. Seus desafios mostram o lado sadio da rivalidade grenal, um bom exemplo a ser seguido pelas duas maiores torcidas do sul do país. Aliás, para encerrar, nada melhor do que a mensagem final de uma das trovas, mostrando a importância dos dois clubes e da convivência pacífica entre as torcidas:

Ta empatado o Grenal
O amor desmancha a guerra
Misturam-se as camisetas
Num beijo esta briga encerra
E viva as duas torcidas
Dos times da nossa terra

E, como diria um grande locutor esportivo: Ergue o braço o árbitro! Final de jogo!

MUNDO TEIXEIRINHA – Edição 6

novembro 10, 2007

Depois de algumas horas de atraso na postagem (resultado dos temporais que me impediram de ligar o computador…) estou chegando repleto de recados para todos os que comentaram e deixaram mensagens nesta semana.

Gildo X Teixeirinha

O texto Compadre Gildo continua rendendo boas discussões. O Gaúcho afirmou num comentário que a música “Relho trançado” não parece ter sido feita para Gildo de Freitas. Realmente, concordo que existem outros elementos nesta briga e que estão desconhecidos. Quanto à canção do José Mendes, de fato, desconheço, mas vou procurar e saber se ela tem relação com a polêmica. Quanto à briga entre Teixeirinha e Flávio Cavalcanti, ela já foi discutida aqui no blog na matéria “Fora de série…”. É claro que não descarto abordar o tema novamente. Aguardem por novidades!

Estilo Teixeirinha

Respondendo à Rozélia Baptista (que já virou ‘sócia’ do blog e declarou preferir o Teixeirinha de bigode): a senhora com roupa cor-de-rosa que aparece na última foto da matéria “Estilo Teixeirinha” é Zoraida Lima Teixeira, esposa legítima do artista. Nesta foto de 1984, ela está acompanhando o marido numa premiação da gravadora Chantecler em Porto Alegre. Dona Zoraida reside atualmente em Porto Alegre e é mãe de quatro filhas de Teixeirinha.

Mary Terezinha

Fiquei extremamente contente com o sucesso do texto sobre Mary Terezinha. Os ótimos comentários que deixaram mostram que Mary continua sendo queridíssima pelo público. Tenham certeza de que, em breve, ela saberá do carinho que todos vocês mantém por ela!

Última tropeada

A Ana Lúcia Lopez perguntou onde encontrar o CD “Última tropeada”. Infelizmente, Ana, este LP não foi remasterizado e não pode ser encontrado. Mais fácil é encontra-lo em sebos. Depois de adquiri-lo você poderá remasterizá-lo em alguma casa especializada.

Agradecimentos

Muito obrigado: Rozélia Baptista (obrigado pelo “prestativo”!), Ed Carlos, Fernanda Athayde (que bom que gostastes da matéria sobre a Mary!), Ana Lúcia Lopez, Júlio Pedro Martins (seja bem-vindo novamente!), Marco Aurélio (bem-vindo!), Gabriel (taí o agradecimento!), Cassiano Ferreira, Gaúcho, Rose (seja bem-vinda também!), Roberto, Rafael e a todos os que tem acessado o blog.

Discografia comentada

Nesta semana estou lançando o quadro Discografia comentada, onde trarei um LP de Teixeirinha por mês, contando a história do disco e comentando as músicas e a produção do mesmo. De saída, “O gaúcho coração do Rio Grande”, primeiro LP de Teixeirinha lançado em 1961. Quem quiser saber mais sobre algum disco mande suas sugestões através do ChatBox ou dos comentários aqui mesmo! Estou aceitando sugestões para a edição de dezembro da Discografia comentada!

Curtam agora mais um texto! Abraços a todos e até semana que vem!


DISCOGRAFIA COMENTADA – "O gaúcho coração do Rio Grande" (1961)

novembro 10, 2007

Seria uma lástima iniciar a série Discografia comentada sem o célebre LP “O gaúcho coração do Rio Grande”, gravado por Teixeirinha na gravadora paulista Chantecler em 1961. Trata-se de um disco único, uma verdadeira obra-prima de Vitor Mateus Teixeira, lançada no embalo de seus primeiros sucessos. A história desta gravação não podia passar em branco!
Como já sabemos, Teixeirinha surgiu para o mercado fonográfico em 1959, quando realizou suas primeiras gravações em São Paulo. Ele gravou mais de uma dezena de músicas nos dois primeiros anos de carreira no disco, mas foi só a partir de julho de 1960 que explodiu nas paradas com o sucesso “Coração de Luto”. A Chantecler era uma gravadora jovem e de estrutura pequena. A maior parte de seus artistas lançava compactos (78rpm), discos de fácil produção e comercialização. Teixeirinha não fugira a esta regra, mas seu surpreendente número de vendas em todo o Brasil estimulou os executivos da gravadora a lançá-lo também em long playing.
Em 1961 chegava às lojas “O gaúcho coração do Rio Grande”, primeiro LP de Teixeirinha. O disco não teve produção muito elaborada: a foto da capa é da mesma série de imagens que ilustravam as capas dos primeiros compactos; e as músicas também foram colhidas de gravações já realizadas tanto que, provavelmente, nenhuma era inédita quando o LP foi lançado. Mesmo assim, o disco tem características peculiares. Uma das mais importantes: é, certamente, o LP mais “gaúcho” de Teixeirinha, tendo em vista que trouxe ritmos e instrumentalização tipicamente sulinas.
“O gaúcho coração do Rio Grande” está composto por 12 faixas, 6 de cada lado. No Lado A, estão as músicas de menor expressão, com exceção de “Briga no casamento” e “Não e não”. Estas duas canções, aliás, são simplesmente incríveis: na primeira (um xote), Teixeirinha expõe com extremo humor as peripécias do “comedor de batom”, o cantor galante que chega nas festas e conquista todas as mulheres com seu charme e talento musical. Na outra composição (uma rancheira) é a vez de Teixeirinha pedir beijos para Mariazinha (interpretada por uma cantora de sotaque carioca desconhecida), naquela que, quiçá, tenha sido a música mais voltada para as crianças em toda sua carreira.
As outras quatro composições do Lado A são bastante significativas. “Vou embora” (xote) e “Ébrio de amor” (valsa) seguem a linha romântica, falando das decepções e do coração de quem ama. “Amor de mãe” (valsa) retoma a linha do amor materno, tão comum na obra do artista. Por fim, “Ida e volta” (rasqueado) é mais uma pérola do cancioneiro de Teixeirinha, no qual o cantor expõe as belezas das terras percorridas em sua primeira turnê como cantor pelas regiões Sul e Sudeste do Brasil.
No Lado B de “O gaúcho coração do Rio Grande” é que estão as maiores preciosidades deste disco. A primeira música já dispensa comentários e aparece como o carro-chefe deste LP: “Coração de Luto” (toada-milonga). Depois, canções pra lá de variadas: “Gaúcho no churrasco” (xote), “Cinzeiro amigo” (canção), “Gaúcho de Passo Fundo” (xote), “Tiro de laço” (rancheira) e “Xote Soledade” (xote). Destas, merecem destaque as duas últimas. A rancheira “Tiro de laço”, além de significativa por abordar novamente o gaúcho “rouba-prenda” é também a música de Teixeirinha preferida do tradicionalista Paixão Cortes. Já “Xote Soledade” é mais uma das tantas composições feitas pelo cantor em homenagem a uma cidade que lhe marcou.
O LP “O gaúcho coração do Rio Grande” é marcado por ritmos marcadamente regionais. Nas gravações foram utilizados alguns dos instrumentos mais significativos da música gaúcha mesclados com percussão: gaita, violão, guitarra, pandeiro, flauta e triângulo. As temáticas das músicas são variadas, mas todas giram em torno das figuras do Rio Grande do Sul (a saber, o gaúcho, a prenda…). Teixeirinha também está inspirado em suas interpretações: sua voz ainda era aguda, no mais alto estilo “timbre de sino” que lhe caracterizou nestes primeiros anos. Porém, o ouvinte mais atento, notará que as composições não obedecem a um padrão de gravação (umas tem chiado, outras não), o que se explica pelo fato de que os fonogramas foram extraídos de diferentes discos, gravados em momentos distintos.
Num comentário geral, não pode passar em branco também a apresentação de Dimas Costa na contracapa do LP. Num texto dividido em três colunas, o tradicionalista fala da gênese do Movimento Tradicionalista gaúcho e de sua difusão pelo país através de Teixeirinha. Dimas fala, depois, da história de Vitor Mateus Teixeira, a quem se refere como “intérprete autêntico dos cantores regionalistas crioulos”. Mas, um fato curioso: na hora de biografar Teixeirinha, Dimas Costa cometeu um erro, afirmando que o cantor nasceu em Porto Alegre. Apesar da gafe, o tradicionalista escreve um parágrafo historicamente importante sobre o primeiro LP do “Rei do Disco”: “a CHANTECLER sentiu a necessidade de reunir o primeiro punhado de composições do ‘GAÚCHO CORAÇÃO DO RIO GRANDE’, neste LP, a fim de dar atendimentos ao avultado número de pedidos, que lhe chegam constantemente, de parte desse público patrício e justo que começa a dar a merecida preferência a nossa música original brasileira.”
Enfim, falado um pouco deste disco, só me resta aconselhar a todos para que ouçam esta preciosidade. Graças à tecnologia, este LP já está disponível no formato digital desde 2004. Porém o disco está esgotado há um ano e apenas com muita sorte se encontrará em alguma loja específica. Para finalizar, segue a ficha técnica completa do disco, suas músicas e informações mais relevantes.

ÁLBUM: “O gaúcho coração do Rio Grande”
ANO DE LANÇAMENTO: 1961
GRAVADORA: Alvorada / Chantecler
DIREÇÃO: Diogo Muleiro (Palmeira)
NÚMERO DO DISCO: CMG 010 (PTJ 3010)

LADO A

01. Vou embora (Teixeirinha)
02. Briga no casamento (Teixeirinha)
03. Amor de mãe (Teixeirinha)
04. Ida e volta (Teixeirinha)
05. Ébrio de amor (Teixeirinha)
06. Não e não (Teixeirinha)

LADO B

01. Coração de luto (Teixeirinha)
02. Gaúcho no churrasco (Teixeirinha)
03. Cinzeiro amigo (Teixeirinha)
04. Gaúcho de Passo Fundo (Teixeirinha)
05. Tiro de laço (Teixeirinha)
06. Xote Soledade (Teixeirinha)

REEDIÇÕES: 1972 (LP); 1972 (K7); 1992 (LP); 2004 (CD);


MUNDO TEIXEIRINHA – Edição 5

novembro 3, 2007

Semana com algumas novidades bem variadas. É hora de mais um Mundo Teixeirinha aqui no Revivendo!

Direto da Fundação

Essa é pra quem não teve a oportunidade de acessar o site da Fundação Teixeirinha (http://www.teixeirinha.com.br/). É o seguinte: na sessão de notícias existe uma série de novidades sobre o “Rei do Disco”. A mais surpreendente e interessante é a que revela a proposta do legislativo gaúcho de transformar a música “Querência amada” em hino popular do Rio Grande do Sul.

Teixeirinha na Feira do Livro

Quem ainda não comprou o livro “Teixeirinha – O Gaúcho Coração do Rio Grande” tem a oportunidade de adquiri-lo na Feira do Livro em Porto Alegre. No dia 4 de novembro o autor, Israel Lopes, estará por lá autografando a obra. O evento ocorrerá às 19h30 na Praça de Autógrafos da Feira.

Finados

Como já é tradicional, dezenas de pessoas passaram pelo túmulo de Teixeirinha neste dia 2 de novembro. Houve reunião de fãs, que cantaram as músicas do ídolo e deixaram flores em sua sepultura. A amiga Nicole Reis esteve por lá entrevistando admiradores do artista e revelou que alguns casos chamaram muita atenção.

Finados II

Mas um triste incidente marcou a visitação ao túmulo de Teixeirinha neste dia de finados. Segundo o plantão da Rádio Gaúcha, a Smic apreendeu CDs piratas que estavam sendo vendidos em pleno sepulcro do cantor. A notícia é sucinta e não se sabe ao certo quem estava comercializando os discos.

4 de dezembro

No dia 4 de dezembro, aniversário de 22 anos de morte do cantor Teixeirinha, pretendo estar em Porto Alegre acompanhando as manifestações em homenagem ao artista. Quem tiver alguma história a contar e quiser aparecer por lá será muito bem recebido.

Ação Natal 2007

A notícia é da Fundação Teixeirinha, mas eu apoio e assino embaixo. A Fundação Vitor Mateus Teixeira, Recrear Eventos Esportivos e os voluntários Flávio Lima, André Ilha, Joir Brum, Dante e Sandra Kepler convidam para participar da AÇÃO NATAL 2007, onde levaremos as 286 crianças da Escola Estadual Heitor Villa-Lobos, na Estada da Extrema, n. 2943, Porto Alegre, um dia especial de brincadeiras esportivas, alimentos e brinquedos para um natal inesquecível na memória dessas crianças e em nossos corações. Será no dia 8 de dezembro de 2007, das 10 às 14hs. Todos aqueles que participarem terão seus créditos no local do evento, no site da Fundação e em citações espontâneas no programa Estúdio Betha da Rádio Rural. Para participar, envie e-mail para teixeirinha@teixeirinha.com.br.

Mary Terezinha

Finalmente está chegando a matéria sobre a vida atual de Mary Terezinha. O pedido foi da Fernanda Athaíde e a matéria está logo abaixo com o título POR ONDE ANDA MARY TEREZINHA? Sobre a fotografia da capa do livro “A gaita nua” de Mary, aviso que postarei em breve. Nesta semana não foi possível.


POR ONDE ANDA MARY TEREZINHA?

novembro 3, 2007
Quem percorre o Orkut em busca de informações sobre Teixeirinha logo se depara com tópicos perguntando, afinal, por onde anda Mary Terezinha, a acordeonista e cantora que – durante 22 anos – formou dupla dentro e fora dos palcos com o Rei do Disco. Muitos boatos sobre a vida da artista já foram inventados e a curiosidade sobre o destino de Mary continua predominando entre seus admiradores.
Para que não restem mais dúvidas, vamos saber o que ocorreu com Mary nos anos que se sucederam à separação da dupla e, finalmente, como está a “menina da gaita” hoje. Em 1983 Mary e Teixeirinha separaram-se nos palcos e na vida pessoal. Com o fim da dupla, a acordeonista, então com quase 40 anos, casou-se com o mentalista Ivan Trilha. Com ele percorreu vários países. Em dezembro de 1985 Teixeirinha faleceu em Porto Alegre. Mary afirmou, anos depois, o que sentiu naquele dia: “Estava no Rio de Janeiro quando ele morreu. Quem me avisou foi o Luís de Miranda, pelo telefone. Enviei Alexandre ao velório, mas não fui junto. Para mim a morte não existe: existem apenas as pessoas e aquilo que nos deixam. E o legado de Victor Matheus Teixeira eu conheço bem.”

Mary Terezinha no especial “Teixeirinha, o Gaúcho Coração do Rio Grande”

Pelo mundo, Mary percorreu várias nações ao lado de Trilha. Eles conheceram grandes personalidade como Mercedes Sosa e o general Noriega do Panamá. Em 19 de junho de 1989, o casamento chegou ao fim. Mary e Ivan começaram a divergir, entre outros fatores, porque a vida do mentalista era muito corrida e não tinha paradeiro. Durante os anos do casamento, entretanto, Mary não se afastou da música. Gravou alguns LPs naquele período e, depois do matrimônio, inclinou-se cada vez mais para a política, sendo partidária do PDT de Leonel Brizola.
No início dos anos 1990, Mary Terezinha converteu-se à doutrina evangélica, fato que mudaria completamente sua vida. A partir de então, passou a cantar apenas músicas relacionadas ao novo credo, especializando-se no gênero gospel. Em 1992, fora dos holofotes da mídia, lançou o livro “A gaita nua”, sua autobiografia, na qual conta em detalhes os anos em que passou ao lado de Teixeirinha.
Como missionária evangélica, a “menina da gaita” continuou percorrendo o Rio Grande do Sul e o Brasil, agora levando mensagens de fé. No início dos anos 2000, gravou dois CDs: “Mari Terezinha” e “A serviço do Rei”, ambos com músicas de sua autoria cantadas ao som do eterno companheiro acordeom. Passou a ter o nome escrito sem a letra Y no final. Seus discos louvam Deus e Cristo, numa linguagem simples e com ritmos já consagrados, tais como o xote e a vaneira. No primeiro CD, Mary dedica uma faixa ao testemunho de sua conversão. Durante alguns minutos, ela conta como foram os difíceis anos depois da separação de Teixeirinha e de que forma ela converteu-se à doutrina evangélica.
Na capa de um de seus CDs gospel
Mary, mãe de dois filhos (Alexandre e Liane, também filhos de Teixeirinha), hoje está com 61 anos e mais viva do que nunca. Continua pregando os ensinamentos bíblicos em toda parte em que lhe chamam. Um de seus discos já vendeu mais de 100 mil cópias, mesmo sem contar com apoio da grande mídia. Entrevistada pelo jornal Zero Hora em 2006, ela revelou: “Não interessa o passado. Sou outra. Sou uma nova criatura. Não quero falar”. E para os fãs que desejam saber seu paradeiro, mandou um recado: “Eu não morri, viu? Tô viva.”
Mary segue cantando para seus fãs. Capa do CD “A serviço do Rei”
Em 2005, numa das raras entrevistas à TV, Mary reapareceu, falando dos anos em que conviveu ao lado de Teixeirinha. Foi no especial “Teixeirinha, o Gaúcho Coração do Rio Grande”, produzido pela RBS TV para saudar os 20 anos da morte do cantor. Mary mostrou-se disposta e disse que viveu momentos difíceis e momentos felizes ao lado do “rei do disco”. Afirmou, também, não guardar mais ressentimentos sobre o passado. Hoje, Mary reside na zona norte de Porto Alegre.

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