Orkuteiros #1

fevereiro 28, 2009

OK, mais uma vez me desculpem pela ausência aqui no blog. Tenho me dedicado quase que integralmente a escrever a dissertação e, por isso, acabo ficando ausente, sem atualizações regulares e muitas vezes sem atender aos pedidos e responder às questões. O tempo é curto, mas, na medida do possível, vou atualizando.

Como parte das novidades que prometi para este ano, estou estreando hoje um novo quadro, o Orkuteiros. É o seguinte: muita gente que acessa este blog tem perfil no Orkut e um bom número destas pessoas me adicionou como amigo por lá. São grandes fãs que volta e meia aparecem com fotografias interessantíssimas em seus álbuns, fotos de Teixeirinha, Mary Terezinha ou algo relacionado a ambos.

Decidi, então, escolher um orkuteiro por post e publicar uma destas interessantes fotos aqui. Quem não é meu amigo no Orkut, mas quer participar, pode deixar o endereço do álbum (desbloqueado) nos comentários ou no Chat. Se a foto for boa, posto aqui sempre com algum comentário rápido.

Hoje, em cartaz, uma imagem retirada do álbum de Flávio Teixeira, lá de Pernambuco. É um promocard da Hepagosina, um popular digestivo que, nos anos 1970, tinha o casal mais querido do Rio Grande do Sul como garotos-propaganda. Fantástico, não?


O pai de Teixeirinha

fevereiro 11, 2009

Lembram do Pedro Raymundo, o primeiro cantor a “invadir” as rádios de todo o Brasil cantando toadas, xotes e polquinhas com seu afinado acordeom e devidamente trajado à gaúcho? Não? Pois bem: Pedro Raymundo nasceu em Imaruí (SC), em 1906, e chegou em Porto Alegre em 1929. Era condutor de bondes e inspetor de tráfego, quando foi descoberto pela Rádio Farroupilha apresentando-se nos cafés do Mercado Público da capital. Em 1943 viajou para o Rio de Janeiro e conseguiu um contrato com a então poderosa Rádio Nacional. No mesmo ano, gravou seus primeiros discos pela Continental, incluindo aí o xote Adeus Mariana, música regravada à exaustão por diversos até hoje, sempre com grande sucesso. Em 1949 Pedro Raymundo – no auge do sucesso -  atuou no filme “Uma luz na estrada”. Quase dez anos depois, em 1958, ele contracenou em “Nobreza Gaúcha”. E é um trechinho deste último, incluindo aí uma canção, que encontrei hoje no YouTube. Enquanto não faço um texto mais denso sobre este grande artista – que influenciou diretamente Teixeirinha, sendo uma espécie de “pai” artístico do cantor – deixo com vocês estas preciosas imagens do “Gaúcho Alegre do Rádio”.

Pedro Raymundo faleceu pobre e esquecido no Rio de Janeiro, em 9 de julho de 1973. Sua carreira definhou em virtude do aparecimento da TV (para onde não era chamado) e devido a complicações no dedo polegar direito, o que lhe afetava na execução do acordeom (sua especialidade).


Essa é histórica

fevereiro 9, 2009

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Vejam esta foto enviada pelo Kalzely Barbosa dos Santos. Simplesmente fantástica! Teixeirinha, Mary Terezinha e mais 26 artistas que participaram da nossa velha conhecida “A Grande Noite da Viola“, no Maracanãzinho, em 1981. O curioso é que a imagem foi obtida de dia e no gramado do Maracã, o maior estádio de futebol do mundo (dá pra ver até as arquibancadas ao fundo). Detalhe: além de Teixeirinha e Mary (com seu vestido ocupando boa parte do gramado, a propósito), pude identificar ainda as duplas Tonico e Tinoco, Milionário e José Rico e Irmãs Galvão. Quanto aos demais, deixo o desafio pra vocês. Conseguem identificar mais alguém?

Ah, duas coisas me chamaram atenção. A primeira é a ausência (a menos que eu não tenha encontrado) de Berenice Azambuja – que participou do evento. A segundo é senhor de terno marrom bem ao centro da foto (de pé). Ele não parece o Carlos Alberto de Nóbrega, apresentador do programa “A praça é nossa”? Vale lembrar que este show foi exibido e co-produzido pela TVS, mais tarde chamada de SBT.


Opa, errei!

fevereiro 5, 2009

Amigos, como muito bem me advertiu o leitor Celso, a canção gravada por Valdomiro Mello e exibida no vídeo do post anterior é Valsas das flores (valsas, no plural mesmo) composta por Teixeirinha e gravada pelo próprio no LP “Doce coração de mãe” (Copacabana, abril de 1968). Na postagem este distraído blogueiro que vos fala acabou trocando o nome da canção por Valsa das rosas (que, segundo me faz supor o comentário da Cristina, teria sido gravada por Mary Terezinha – não tenho dados a respeito desta informação).

Desculpem a falha (que já foi consertada na postagem) e obrigado pela correção! :)


“Valsas das flores” – Valdomiro Mello

fevereiro 5, 2009

A dica é do Raphael, grande fã de Teixeirinha que deixou este vídeo na minha página de recados do Orkut. Trata-se de uma apresentação do conhecido Valdomiro Mello no programa Alô Che, da TV Tarobá. Nas imagens, ele canta Valsas das flores, linda canção que – como tantas outras – é hoje pouco lembrada nas coletâneas e por aqueles que regravam Teixeirinha. Vale lembrar que Teixeirinha e Valdomiro eram bons amigos. Mello atuou em alguns filmes da Teixeirinha Produções e veio direto de Brasília para trovar no sepultamento do “Gaúcho Coração do Rio Grande”, atendendo a pedidos do cantor.

Costumo ser um tanto quanto crítico às regravações. Exploração de muitos instrumentos sintetizadores em valsa é uma coisa que nem sempre fica bem. Particularmente, achei esta gravação de Valdomiro apenas mediana. No entanto, é digna de aplauso sua atitude em regravar uma canção “não-consagrada” de Teixeirinha. Nada contra Querência amada ou Tropeiro velho (muito pelo contrário!), mas penso que estas e outras músicas já foram gravadas muitas vezes. É hora de dar chance às outras centenas que ainda restam (algumas inéditas). Mas enfim, é apenas uma opinião.

E vocês, o que acharam da gravação? E o que pensam sobre o assunto?


O precioso

fevereiro 1, 2009

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Quando a gente imagina que já viu quase tudo em se tratando dos discos de Teixeirinha, aparecem surpresas. Domingo passado eu estava navegando pela Internet quando me deparei com o site Ventania, uma loja virtual especializada na venda de discos usados. Só por curiosidade digitei a palavra “TEIXEIRINHA” no campo de busca da página. Apareceram 10 ou 15 resultados, a princípio discos facilmente encontráveis tanto nos sebos reais quanto nos virtuais.

Só que de repente um dos registros me chamou atenção. O título do disco: “Teixeirinha põe o seu estoque de pilhas em alta rotação!”. Fiquei surpreso, pois jamais havia visto/ouvido algo sobre ele. Abri o campo de detalhes e, em 5 minutos finalizei a compra, crente de que havia adquirido o mais raro ítem da minha (ainda pequena) coleção.

A capa da jóia rara é esta aí da imagem acima. Trata-se de um disco compacto simples, contendo duas canções – uma de cada lado – compostas por Teixeirinha como parte de seu acordo comercial com a Julio Ribeiro Publicidade (de Porto Alegre) e as Pilhas Eveready (a famosa “Pilha do Gato”). Não traz data, mas pelos meus cálculos foi gravado entre 1970 e 1971, quando Teixeirinha era garoto-propaganda das tais pilhas (junto com Luiz Gonzaga). Muito provavelmente foi gravado e prensado em Porto Alegre mesmo, embora eu não tenha maiores indícios disso.

De toda a maneira, é certamente um disco muito especial e raro (opinião avalizada pelo grande colecionador d’além-mar Arnaldo Guerreiro). Foi gravado pela Scatena Studios de Som Ltda. Que gravadora é esta e onde funcionava, é um mistério a ser desvendado. O que está muito claro é o caráter promocional do compacto: no lado A, ele traz A pilha e o gato (uma adaptação de Gaúcho de Passo Fundo, composta pelo próprio Teixeirinha, justificando o uso das pilhas Eveready em aparelhos eletrônicos); já no lado B, Teixeira e Mary Terezinha cantam A pilha e o motorista (adaptação de Motorista do progresso, com mais ênfase na utilidade das “Pilhas do Gato”).

O compacto, de código N.A.C. 1313, possivelmente não foi revendido à época de seu lançamento. É provável, aliás, que sua difusão (limitada, imagino eu) tenha se dado apenas através de alguma promoção envolvendo as pilhas. Digo isso, pois na contracapa do disco encontra-se a impressão: “Cortesia da EVEREADY – UNION CARBIDE DO BRASIL S/A”. Por esta razão,este disco não é conhecido e não faz parte (ao menos até agora) da discografia oficial do cantor. Tudo isso o transforma em uma peça ainda mais interessante!

Enfim, sem sombras de dúvida o compacto “Teixeirinha põe o seu estoque de pilhas em alta rotação!” se trata da peça mais rara que já passou pelas minhas mãos. Em breve postarei aqui mais fotos dele e, assim que possível, vou upar um vídeo no YouTube mostrando esta beleza em ação. Assim vocês poderão ouvir um pouco das músicas engraçadas e sensacionais gravadas neste pequeno e impressionante disco.


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