Parabéns, Mary!

março 30, 2009

117Foi há 63 anos, num 30 de março, às oito e meia da manhã, que a filha de Wilma Cabral Brum e Euclides do Nascimento Brum veio ao mundo. Foi a primeira de seis rebentos. Batizaram-na de Mary Terezinha Cabral Brum. Mary, sugestão de um tio. Terezinha em alusão à Santa Teresinha, de quem dona Wilma era devota.

Mary nasceu em Tupanciretã, mas andou por outros municípios durante a infância – andanças contadas, a propósito, em A gaita nua, seu livro de memórias. Lá pelo início da adolescência, a moreninha que já floreava as primeiras notas no acordeom chegou à Bagé. Na “Rainha da Fronteira” e ao lado de sua família, estabeleceu residência. Ali,  em abril de 1961, conheceu o parceiro que mudaria sua vida.

A história é conhecida dos fãs e já foi contada em documentários, livros e entrevistas. Teixeirinha chegara a Bagé para se apresentar no Cine Glória. Gravara Coração de luto no ano anterior e estava “estourado” em todo o Brasil. Mary, com apenas 15 anos, era famosa na região por tocar as canções do “rei do disco” nas rádios locais. O apelido, “Teixeirinha de Saias”, não deixava dúvidas sobre o talento da menina.

Na noite de 4 de abril, os bageenses se acolheraram nas dependências do Glória para ver Teixeirinha. Detrás da cortina, o mais novo astro da MPB estava com problemas: seu gaiteiro, Ademar Silva, não conseguira chegar a tempo para o show. Quem acompanharia Teixeirinha?

Enquanto isso, Mary havia ganho um concurso que premiava quem melhor cantasse uma canção de Teixeirinha. O diretor da Rádio Cultura de Bagé – um dos organizadores do show com o cantor – viu, então, a solução para o problema de Teixeira. Chamou Mary e perguntou se a moça teria coragem de acompanhar o artista.

Ela teve. Dali, saíram para sete apresentações que se transformaram em mais de 500 canções gravadas, em 5 dezenas de LPs, 12 filmes, incontáveis shows e programas no rádio, infinitos “Certo, Teixeirinha!”, dois filhos e um sucesso absoluto. Teixeirinha e Mary Terezinha passaram à História como a mais querida dupla de artistas do sul brasileiro. São lembrados até hoje como referência musical do Rio Grande do Sul para o Brasil.

Em 1984, veio a separação da dupla. Teixeirinha seguiu carreira solo até o ano seguinte, quando faleceu. Mary, saturada das polêmicas acalentadas pela imprensa brasileira, saiu do país, casou-se com o mentalista Ivan Trilha e só regressou tempos depois, quando voltou a produzir e gravar discos. Em meados dos anos 1990, converteu-se ao neoprotestantismo e tornou-se cantora gospel, com três CDs gravados.

Hoje, tudo indica que busca o anonimato. Mas não foi esquecida pelos milhões de fãs que, diariamente, escutam suas canções, divertem-se com suas rusgas ao lado de Teixeirinha (através dos memoráveis desafios) e que lembram, com saudades, da “menina da gaita” que continua no coração do Brasil.

Parabéns, Mary.


Revivendo voltando

março 30, 2009

Pessoal, nesta semana que se inicia prometo voltar às postagens. Como o modelo “drops” não deu certo (eu realmente estou com o tempo curto para o Revivendo), voltarei ao formato antigo: um texto convencional por semana. O primeiro será sobre o aniversário de Mary Terezinha, no próximo dia 30.

Aguardem e obrigado pelos acessos!


Escolha o “Discomentando” de abril

março 10, 2009

Caros amigos do Revivendo Teixeirinha. Não sei se estão dando falta da nossa sessão “Discomentando”, que sempre fez muito sucesso por aqui. Só para relembrar, foram 14 Lps analisados (abaixo a lista dos que já foram) ao longo de iguais 14 edições. Desde a 9ª ou 10ª edição adotei a prática de aguardar por pedidos para que os discos fossem trabalhados. No início não faltaram sugestões, mas agora há tempos não vejo os blogueiros pedindo por LPs novos. Sendo assim, decidi criar uma enquete (espero que dê certo) propondo três nomes para a próxima edição do “Discomentando”. Vocês podem votar no que preferirem e o que receber mais indicações será a bola da vez da sessão.

Antes da enquete (não deixem de votar!), vai a lista dos discos já comentados:

“Quem é você agora”; “Disco de ouro”; “Rio Grande de outrora”; “Amor aos passarinhos”; “Canta meu povo”; “Teixeirinha interpreta”; “Carícias de amor”; “Guerra dos desafios”; “Assim é nos pampas”; “Dorme Angelita”; “A grande noite da viola”; “Teixeirinha show”; “Última tropeada”; “O gaúcho coração do Rio Grande”.

Para acessar aos “Discomentando”, basta digitar o nome da coluna no campo de busca aqui do blog (na barra lateral). Abaixo, segue a enquete:

Votem e comentem!


Jimmy Pippiolo

março 10, 2009

Olá povo! A poeira está baixando e, aos poucos, a rotina do blog vai sendo retomada. Hoje, percorrendo meu email, me deparei com uma mensagem muito bacana enviada pelo André Ilha, colaborador assíduo da Fundação Teixeirinha e grande figura que sempre me dá aquela forcinha quando preciso de alguma coisa mais urgente para as pesquisas.

O André enviou o email em meados de dezembro passado, mas acabei sem tempo de publicá-lo no época. Resultado: esqueci completamente da mensagem e ela foi para o histórico da caixa principal, ou seja, desapareceu das minhas vistas.

Hoje, felizmente, lembrei do achado. É uma foto muito, mas muito legal, do eterno Jimmy Pippiolo, que participou de 10 dos 12 filmes de Teixeirinha. Jimmy é chileno e em todos os longas fez o “terceiro” papel, o cômico que armava a maior confusão nas situações mais diversas. A primeira aparição de Pippiolo ao lado de Teixeirinha ocorre em 1969, no Motorista sem limites (Interfilmes). Depois, foram duas fitas como Don Chiquito – empresário de Teixeirinha em Ela tornou-se freira e Teixeirinha a 7 provas – e mais sete películas em personagens variados.hpim43941

Pippiolo vive hoje em Tramandaí (litoral gaúcho), tem 64 anos e continua fazendo shows. A foto foi tirada durante sua visita à Fundação Teixeirinha, em dezembro passado. Quem aparece junto a Jimmy é o próprio André Ilha.

Ainda hei de entrevistar o Jimmy! Grande figura!


Um dia especial

março 3, 2009

0583 de março. Há 82 anos, nos confins do Rio Grande do Sul, nascia Vitor Mateus Teixeira. Aquele menino, filho do carreteiro Saturnino e da lavradora Ledurina, quem diria, anos depois passaria à história como o mais popular artista do sul brasileiro. Antes disso, foi o “menino órfão”, uma espécie de “canarinho cantador” que guardava dentro do peito o seu “coração de luto”. Cresceu, andou pela “fazendinha”, trabalhou na “velha estância”… E com o “inseparável violão”, conheceu a “milonga da fronteira”.

Mais tarde, com seu “traje de gaúcho”, ou à paisana – mostrando conhecer “os dois lados da vida” – virou o rei do disco e saiu para “a grande viagem”, conhecendo “Norte e Nordeste”, alegrando platéias no “Centro-Oeste brasileiro” e falando a todos: “Não é papo furado”!

Certo dia, o “gaúcho de Passo Fundo” (cidade-berço artístico), uniu-se à “menina da gaita” e saíram pelo mundo, “cantando nos States”, “improvisando” e levando milhões à loucura com o “desafio” de ser sempre a “fonte de beleza” que alegra os corações de “um mundo de amor”.

aniversarioForam mais do que “20 anos de glória”, mais do que um “rio de água” que passou por nossas vidas, cantando a “madrugada” ou as “mágoas do poeta”. Teixeirinha foi o “malandro legal”, “o colono” do disco que não teve “orgulho quebrado”, mas que sempre foi “parada dura” de enfrentar.

Teixeirinha não morreu. Está nos discos, nos filmes, na memória das pessoas e nas 50 mil visitas que este blog recebeu em apenas 2 anos (completos hoje!) de vida.

Palmas para Teixeirinha. Ele merece.


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