Foi há 63 anos, num 30 de março, às oito e meia da manhã, que a filha de Wilma Cabral Brum e Euclides do Nascimento Brum veio ao mundo. Foi a primeira de seis rebentos. Batizaram-na de Mary Terezinha Cabral Brum. Mary, sugestão de um tio. Terezinha em alusão à Santa Teresinha, de quem dona Wilma era devota.
Mary nasceu em Tupanciretã, mas andou por outros municípios durante a infância – andanças contadas, a propósito, em A gaita nua, seu livro de memórias. Lá pelo início da adolescência, a moreninha que já floreava as primeiras notas no acordeom chegou à Bagé. Na “Rainha da Fronteira” e ao lado de sua família, estabeleceu residência. Ali, em abril de 1961, conheceu o parceiro que mudaria sua vida.
A história é conhecida dos fãs e já foi contada em documentários, livros e entrevistas. Teixeirinha chegara a Bagé para se apresentar no Cine Glória. Gravara Coração de luto no ano anterior e estava “estourado” em todo o Brasil. Mary, com apenas 15 anos, era famosa na região por tocar as canções do “rei do disco” nas rádios locais. O apelido, “Teixeirinha de Saias”, não deixava dúvidas sobre o talento da menina.
Na noite de 4 de abril, os bageenses se acolheraram nas dependências do Glória para ver Teixeirinha. Detrás da cortina, o mais novo astro da MPB estava com problemas: seu gaiteiro, Ademar Silva, não conseguira chegar a tempo para o show. Quem acompanharia Teixeirinha?
Enquanto isso, Mary havia ganho um concurso que premiava quem melhor cantasse uma canção de Teixeirinha. O diretor da Rádio Cultura de Bagé – um dos organizadores do show com o cantor – viu, então, a solução para o problema de Teixeira. Chamou Mary e perguntou se a moça teria coragem de acompanhar o artista.
Ela teve. Dali, saíram para sete apresentações que se transformaram em mais de 500 canções gravadas, em 5 dezenas de LPs, 12 filmes, incontáveis shows e programas no rádio, infinitos “Certo, Teixeirinha!”, dois filhos e um sucesso absoluto. Teixeirinha e Mary Terezinha passaram à História como a mais querida dupla de artistas do sul brasileiro. São lembrados até hoje como referência musical do Rio Grande do Sul para o Brasil.
Em 1984, veio a separação da dupla. Teixeirinha seguiu carreira solo até o ano seguinte, quando faleceu. Mary, saturada das polêmicas acalentadas pela imprensa brasileira, saiu do país, casou-se com o mentalista Ivan Trilha e só regressou tempos depois, quando voltou a produzir e gravar discos. Em meados dos anos 1990, converteu-se ao neoprotestantismo e tornou-se cantora gospel, com três CDs gravados.
Hoje, tudo indica que busca o anonimato. Mas não foi esquecida pelos milhões de fãs que, diariamente, escutam suas canções, divertem-se com suas rusgas ao lado de Teixeirinha (através dos memoráveis desafios) e que lembram, com saudades, da “menina da gaita” que continua no coração do Brasil.
Parabéns, Mary.
Escrito por Chico Cougo 

