Há 23 anos…

dezembro 5, 2008
a noticia que abalou o Rio Grande do Sul

Capa da Zero Hora em 5 de dezembro de 1985: a notícia que abalou o Rio Grande do Sul

Hoje, dia 4 de dezembro, completam-se 23 anos que Teixeirinha – o querido “Rei do Disco” brasileiro – faleceu. Mais do que homenagens, hoje é dia de lembrarmos sobre a importância deste artista na cultura brasileira. Vitor Mateus Teixeira, gaúcho de Rolante, órfão aos 9 anos e um batalhador desde cedo, como tantos outros que nascem em nosso país. Fez fama no Brasil e no exterior com canções simples, filmes populares e com uma inconfundível presença. Ao lado da brilhante Mary Terezinha (com quem manteve parceria durante 22 anos) animou bailes, shows, programas de rádio e TV. Sua morte até hoje é comentada com um dos acontecimentos do século no Rio Grande do Sul.

Deixo com vocês uma matéria especial publicada pelo jornal Zero Hora em 1º de dezembro de 2007. O texto já foi postado aqui no blog, mas é uma chance de quem não o leu conhecê-lo. Para os que já conhecem, aproveitem e revejam o bom material levantado pela ZH. Abaixo o link:

http://revivendoteixeirinha.wordpress.com/2008/04/11/especial-zero-hora-dezembro-de-2007/


Um dia pra não esquecer

novembro 3, 2008
Em meio às flores e aos fãs, Teixeirinha "canta"

Em meio às flores e aos fãs, Teixeirinha

Um menino, lá pelos seus 4 ou 5 anos de idade, carrega um ramalhete de flores e caminha apressado ao lado dos pais no corredor central do Cemitério da Santa Casa, em Porto Alegre. Curioso, ele se admira com uma pequena multidão que cerca um dos túmulos. “Pai, esse é o mais cuidado!” – exclama o pequenino. “Claro! Cantor… Todo mundo conhecia… Era do povão!” – esclarece o pai.

Cenas como esta e tantas outras fizeram parte das homenagens prestadas a Teixeirinha no último domingo, 2 de novembro, dia de Finados. Não foi um Finados típico em relação aos anos anteriores. O tempo não colaborou e circunstâncias até agora desconhecidas também ajudaram a transformar a data num marco da história de homenagens a Teixeirinha no cemitério.

Pela primeira vez em 23 anos, Gauchinha de Bagé - uma fã que sempre organiza a música e a homenagem ao cantor em sua sepultura – não apareceu. Segundo informações, ela está doente. Sem Gauchinha, não ouve música, exceto por alguns minutos, quando um violeiro ensejou uma breve homenagem cantando quatro canções do “Rei do Disco”.

Contudo, o silêncio surpreendente deste ano não afastou fãs, admiradores e a imprensa do local. Cassiano Ceruti e sua esposa chegaram ao cemitério pouco depois das 8h da manhã. Há 11 anos ele comparece às homenagens. Orgulhoso, ele mostra fotografias de sua casa, repleta de pôsteres e imagens de Teixeirinha. Começou a ouvir as músicas do “Gaúcho Coração do Rio Grande” antes dos 10 anos e não parou mais. Hoje, possui todos os discos, filmes e uma coleção grande de recortes de jornal e revista.

Quase todos os que passavam pelo corredor central do cemitério paravam para homenagear ou mesmo conhecer o túmulo de Teixeirinha. As crianças pergutam aos pais quem foi aquele homenzinho. Jovens demonstram admiração. De repente, forma-se uma roda: Teixeirinha era gremista ou colorado? Brizolista ou não? E a Mary, é viva? Quem era melhor, Gildo ou Teixeira? Eu conheci Teixeirinha, e você?

Defesas inflamadas, princípios de brigas, risadas… Tudo se mistura e por algumas horas aquele local não parece ser um cemitério, ele perde o caráter de espaço da paz e da tranquilidade e se transforma na tribuna de fãs “número 1″ que, exasperados, defendem idéias ou simplesmente posicionamentos. De repente a imprensa chega e alguns procuram se destacar. Nelson Pacheco (54 anos), é o preferido dos fotógrafos. Trajado à gaúcho, ele posa para as lentes da Zero Hora orando ou prestando reverência à estátua de Teixerinha.

Entre 8 da manhã e 4 da tarde, cerca de 200 pessoas passaram pelo túmulo de Vitor Mateus Teixeira. Alguns param e resolvem relembrar o ídolo. Outro passam, fotografam ou perguntam pelas homenagens prestadas anualmente e que, desta vez, não aconteceram. Alguns outros simplesmente cruzam pela sepultura lançando olhares curiosos. Mas ninguém passa incólume ante a completamente florida sepultura de Teixeirinha.

Nem Júlio de Castilhos, nem Plácido de Castro, nem a esposa de Rafael Pinto Bandeira. Muito menos o escultor Iberê Camargo, o músico Sidnei Lima ou o poeta Mário Quintana. Ninguém tem mais flores e visitantes do que Teixeirinha. Todos são unânimes: aqui – assim como na música gaúcha – ele também é rei.

Às vezes o movimento diminui. Ficam 4 ou 5 pessoas diante do cantor sorridente que parece dedilhar seu violão de frente para o sol. De repente, chegam mais 10, 15 pessoas. No meio da multidão, está Sebastião, um mineiro muito tímido, admirador de Teixeirinha desde os 8 anos de idade. Ele fita a estátua como se conversasse com ela. Tem todos os discos, assistiu a todos os filmes, acompanha tudo o que pode. Sebastião veio de Minas Gerais especialmente para homenagear – do seu jeito – o cantor do Rio Grande. Foram 18 horas de ônibus.

De longe também vem o senhor Benedito Selles, um simpático bageense que há mais de três décadas mora em Campinas, SP. Benedito se emociona ao contar sobre sua relação com Teixeirinha. Há 30 anos o cantor esteve em sua casa, em Foz do Iguaçu (PR). Tomou um café, conversou, cantou, tirou fotos ao lado de Mary Terezinha e da família de Benedito e depois foi embora. Foi o momento mais emocionante da vida do construtor que estava em Porto Alegre a trabalho e resolveu visitar o túmulo do ídolo no dia de Finados. Benedito conta, com os olhos marejados, sobre o quanto Teixeirinha é imporante em sua vida. “Quando ele morreu, eu amarrei todos os discos, coloquei num armário e não escutei por 2 anos… Tinha medo de chorar…” – revela. Sorridente, ele posa para uma bonita foto ao lado da última morada do cantor.

Benedito Selles veio de Campinas para ver o idolo

Benedito Selles veio de Campinas para ver o ídolo

Histórias, momentos de emoção, lembranças e saudade. Quem vai ao Cemitério da Santa Casa no dia de Finados encontra muito mais do que alguns fãs reverenciando Teixeirinha. Encontra vidas que se cruzam e se complementam pelo poder da música, do cinema, enfim, da arte popular, esta incrível forma de destruir fronteiras e aproximar pessoas.


MAIS UMA DE DONA ZORAIDA!

outubro 18, 2008
Dona Zoraida ao lado do apresentado Nico Fagundes, em março de 2008

Dona Zoraida ao lado do apresentado Nico Fagundes, em março de 2008

 

Muita gente me pede fotos atuais de dona Zoraida. Como hoje é o aniversário dela (e vocês podem conferir uma singela homenagem à aniversariante clicando aqui), estou divulgando uma fotografia tirada em março deste ano, durante as gravações do programa Galpão Crioulo Especial Teixerinha, na casa da Glória.

 

Mais imagens de dona Zoraida, Teixeirinha e dos eventos promovidos pela Fundação Vitor Mateus Teixeira podem ser encontrados no site http://picasaweb.google.com.br/teixeirinhaweb


PARABÉNS DONA ZORAIDA!

outubro 18, 2008
Zoraida e Teixeirinha em 1957

Zoraida e Teixeirinha em 1957

 

Há exatos 76 anos, num dia 18 de outubro, nascia em Rio Pardo, Zoraida Lima. Filha do casal Anápio e Estela, morena de cintilantes olhos azuis, filha do meio na numerosa família dos Lima… Zoca não ficou conhecida por nenhum destes atributos. Ela se tornou uma personalidade respeitada e admirada graças ao marido, ninguém menos do que Vitor Mateus Teixeira.

 

Dona Zoraida e Teixeirinha se conheceram em Santa Cruz, no verão de 1956. Ele ainda era um artista amador, animava bailes pelo interior e pouco tinha a oferecer. Ela também não era de família rica. Levado à casa dos Lima por um dos filhos da família, o ainda desconhecido Vitor Mateus Teixeira acabou se encantando por Zoraida. Noivaram e, em 21 de setembro de 1957, casaram-se em Santa Cruz do Sul, numa bonita festa na principal e mais famosa igreja da cidade.

 

De Santa Cruz, o casal foi residir em Soledade e, depois, em Passo Fundo. Dona Zoraida teve de se acostumar à vida mambembe do marido, mas só por pouco tempo. Em 3 de outubro de 1958 nasceu a primeira filha do casal, Nancy Margarethe. Em seguida, veio Gessy Elisabethe. Zoraida conta que seu sonho era ter um menino e, para que isso acontecesse, tentou várias vezes. Acabou tendo quatro meninas, as quais – relata – sempre foram o xodó do pai. O menino não veio.

 

Em 1959, Zoraida viu o marido partir para a mais ambiciosa de suas excursões. Teixeirinha passou 21 dias em São Paulo, na tentativa de realizar seu maior sonho: transformar-se em um cantor de sucesso. Quando voltou a Passo Fundo, com o primeiro compacto gravado, nenhum dos dois poderia supor o que viria depois.

 

A história, no entanto, nós já conhecemos. Depois de algumas gravações de pouco sucesso, Teixeirinha estoura com Coração de luto (1960) e sai pelo Brasil, cantando e faturando. A família vai morar em Porto Alegre, de onde Zoraida não sairia mais (a não ser em passeios ou nos verões, quando os Teixeira se transferiam para Capão da Canoa).

 

Foram mais de duas décadas de união. Dona Zoraida conheceu praticamente todas as pessoas que fizeram parte da rede social de Teixeirinha. Eu me arriscaria a dizer, inclusive, que ninguém sabe mais sobre o homem e o artista do que ela. Uma conversa com dona Zoca é de encher os olhos! São causos, comentários, histórias do cotidiano de uma senhora cujo ânimo contagia. Volta e meia e ela sai com uma tirada engraçada, com uma risada, um comentário sobre a boa fase do tricolor gaúcho (sim, ela é gremista até os dentes!)… Para que se tenha uma idéia, basta dizer que dona Zoraida foi a primeira pessoa a ouvir Coração de luto, minutos depois que Teixeirinha a compôs!

 

Neste aniversário, só nos cabe desejar muita saúde, paz e alegria a dona Zoraida. E que ela permaneça por muitos anos mais lá nos altos da Glória, recebendo com carinho os fãs e contando as histórias que todo mundo gosta de ouvir. Ah, e pra arrematar, deixo uns versos de “Gaúcho pialado”, composição que Teixeirinha teria feito em homenagem a Zoraida no início da carreira:

 

Amo demais um serraninha

Linda gaúcha lá de Bom Jesus

A flor serrana mais linda que eu vi

Que eu conheci num baile em Santa Cruz

 

Na minha vida eu nunca fui pialado

Nunca liguei pro amor na vida

Me descuidei com meu coração

E caí nos braços da mulher querida!


MEU VELHO PAI

agosto 10, 2008
Hoje é Dia dos Pais, momento de paparicar aqueles sem os quais não estaríamos aqui. Para homenagear os velhos, vai uma música especialmente dedicada a eles. “Meu velho pai”, do sempre atual Teixeirinha!
*

Um par de espora sangrenta
Um mango de couro duro
Um chapéu velho, empoeirado
Uma faca do cabo escuro

Um Schimidt trinta e oito
Um pala cheio de furo
Uma guaiaca sovada
No mesmo prego seguro

Ao contemplar, fico triste
Seu dono já não existe
Só a saudade persiste
Daquele gaúcho puro

*

Meu pensamento vagueia
Perdido no infinito
Relembro o dono dos trastes
Que fora seu manuscrito

Quando montava um cavalo
Era sempre favorito
Quer no rodeio ou na doma
Seu trabalho era bonito

Na tropeada era um doutor
Nas domas, um domador
Na ‘cordeona’, um trovador
E na laçada, um perito

*

Assim foi meu velho pai
Como um laço de rudilha
Enquanto é novo se espicha
Nos chifres de uma novilha

Depois a morte golpeia
Só fica os trastes da encilha
Pendurados na parede
Recordação pra família

Ele já não é mais nada
Num túmulo à beira da estrada
Uma cruz velha rodeada
De flores de maçanilha

*

[Falado]
“Pai, é triste recordar! Mas quando um pai foi bom na vida, é lindo recordar na morte!”

‘Oigalê’, morte traiçoeira
Que chega como um ‘pialo’
Sessenta, setenta anos
Tira um homem do cavalo

Arranca dos filhos e netos
E atira dentro de um valo
Parece o minuano xucro
Que leva a folha do talo

Meu velho pai, que saudade
Do seu carinho e bondade
Choro uma barbaridade
Quando no seu nome eu falo

Parabéns a todos os pais!


REVIVENDO TEIXEIRINHA: 1 ANO

março 1, 2008

Parece que foi ontem… Há um ano, mais exatamente no dia 3 de março de 2007, entrava no ar o Revivendo Teixeirinha, este humilde blog criado para saudar e homenagear o grande artista Teixeirinha e sua imensa legião de fãs.

Lá se vão doze meses de uma pequena iniciativa que virou um grande sucesso. E os números não me deixam mentir: já são 80 postagens, 21 edições do “Mundo Teixeirinha”, cerca de 300 comentários e mais de 12 mil visitas (proporcionalmente, mil por mês!). Já discutimos mais de duas dezenas de assuntos diferentes e relembramos de fatos quase perdidos no tempo.

Para além das cifras, nossa página ostenta vários “melhores momentos”. Como esquecer do dia em que nosso endereço foi divulgado ao vivo no programa “Estúdio Betha” da Rádio Rural? E de quando fomos citados pela própria Fundação Teixeirinha em sua home page na Internet? Foram várias, inúmeras menções tanto no mundo cibernético, quanto no real. A repercussão deste blog alcançou até mesmo os desenvolvedores de outros sites, como no caso da página “Paulo Sérgio In Memoriam” e do portal “Boa Música Ricardinho” – excelentes trabalhos que já se tornaram nossos parceiros. Para fechar a lista de reconhecimentos, lembro dos comentários recebidos por internautas espalhados pelo mundo. Aí, cabe ressaltar as participações de fãs de Teixeirinha na Austrália e em Portugal.

Como todo site informativo, por aqui também transitaram algumas polêmicas. Afinal, Teixeirinha era gremista ou colorado? Como foi a briga entre ele e Gildo de Freitas? Matérias, comentários e até discussões acirradas tentaram desvendar estes mistérios. O importante aí, no entanto, não é tanto o que realmente aconteceu, mas as hipóteses e até a criatividade e espírito investigativo de cada um. Ou seja: o importante é participar!

Brincadeiras à parte, o Revivendo Teixeirinha acabou desenvolvendo não apenas o resgate à memória do “Rei do Disco”, mas também a de outros artistas, menos lembrados ou então que viveram na mesma órbita do “Gaúcho Coração do Rio Grande”. Foi assim que, de forma muito bonita, ressurgiram nomes como Jorge Camargo (que vem ganhando uma nova história desde então), José Mendes, Maria Celoí e a própria Mary Terezinha – sempre lembrada por aqui. Da mesma forma relacionamos Teixeirinha com o mundo no qual viveu e com os artistas que marcaram sua trajetória (Vicente Celestino, Carlos Gardel, Francisco Alves e Roberto Carlos, entre outros). Enfim, um resgate no tempo que transformou o Revivendo Teixeirinha numa página que vai além do cantor gaúcho, um processo que traz para a atualidade artistas e até gravadoras que hoje não são tão lembradas.

No que diz respeito ao próprio Teixeirinha, creio que alcançamos excelentes resultados. Ótimas sugestões, aliadas ao préstimo de vários colaboradores e ao trabalho deste blogueiro, geraram bons textos capazes de chamar atenção até dos menos interessados no assunto. Dentre tantos êxitos, merecem menção os textos “Teixeirinha em Quadrinhos” (que teve uma inesperada repercussão!), “Guerra de Rimas: Os Desafios”, as três edições (até agora) do “Discomentando” e a série de escritos “Coração de Luto: 40 anos depois” – sobre o aniversário do primeiro filme estrelado pelo “Rei do Disco”. Além disso, é preciso mencionar o “caso Última Tropeada”, isto é, as inúmeras dúvidas respondidas sobre este disco (que acabaria, por fim, protagonizando um texto esclarecedor).

Enfim, são êxitos e mais êxitos. É claro que, como já era de se esperar, vez por outra erramos feio. Aí, é preciso parar, reconhecer o erro e tentar resolvê-lo. Também é evidente que, às vezes, o autor se deixou levar pela emoção ou por experiências pessoais na redação dos textos (e duas matérias relativas a viagens a Porto Alegre ilustram bem isso), mas… Acontece!

Hoje, lembrando tudo o que se passou neste último ano, é preciso que se pense na importância que este pequeno blog ganhou (e continuará ganhando) para aqueles que desejam informar-se não apenas sobre Teixeirinha, mas também acerca de uma parte importante das histórias do Brasil e do Rio Grande do Sul. É preciso que se reflita sobre o tamanho deste fenômeno Teixeirinha, um nome que – aparentemente – já poderia ter desaparecido, mas que – inexplicavelmente – segue vivo. No arremate deste singelo texto, que é uma homenagem a todos nós, deixo o meu muito obrigado pelas visitas, pelos comentários e por serem o combustível que moveu o Revivendo Teixeirinha neste primeiro ano e que, espero, continuem sendo por muitos anos.

E amanhã, “Mundo Teixeirinha”!

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