O precioso

fevereiro 1, 2009

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Quando a gente imagina que já viu quase tudo em se tratando dos discos de Teixeirinha, aparecem surpresas. Domingo passado eu estava navegando pela Internet quando me deparei com o site Ventania, uma loja virtual especializada na venda de discos usados. Só por curiosidade digitei a palavra “TEIXEIRINHA” no campo de busca da página. Apareceram 10 ou 15 resultados, a princípio discos facilmente encontráveis tanto nos sebos reais quanto nos virtuais.

Só que de repente um dos registros me chamou atenção. O título do disco: “Teixeirinha põe o seu estoque de pilhas em alta rotação!”. Fiquei surpreso, pois jamais havia visto/ouvido algo sobre ele. Abri o campo de detalhes e, em 5 minutos finalizei a compra, crente de que havia adquirido o mais raro ítem da minha (ainda pequena) coleção.

A capa da jóia rara é esta aí da imagem acima. Trata-se de um disco compacto simples, contendo duas canções – uma de cada lado – compostas por Teixeirinha como parte de seu acordo comercial com a Julio Ribeiro Publicidade (de Porto Alegre) e as Pilhas Eveready (a famosa “Pilha do Gato”). Não traz data, mas pelos meus cálculos foi gravado entre 1970 e 1971, quando Teixeirinha era garoto-propaganda das tais pilhas (junto com Luiz Gonzaga). Muito provavelmente foi gravado e prensado em Porto Alegre mesmo, embora eu não tenha maiores indícios disso.

De toda a maneira, é certamente um disco muito especial e raro (opinião avalizada pelo grande colecionador d’além-mar Arnaldo Guerreiro). Foi gravado pela Scatena Studios de Som Ltda. Que gravadora é esta e onde funcionava, é um mistério a ser desvendado. O que está muito claro é o caráter promocional do compacto: no lado A, ele traz A pilha e o gato (uma adaptação de Gaúcho de Passo Fundo, composta pelo próprio Teixeirinha, justificando o uso das pilhas Eveready em aparelhos eletrônicos); já no lado B, Teixeira e Mary Terezinha cantam A pilha e o motorista (adaptação de Motorista do progresso, com mais ênfase na utilidade das “Pilhas do Gato”).

O compacto, de código N.A.C. 1313, possivelmente não foi revendido à época de seu lançamento. É provável, aliás, que sua difusão (limitada, imagino eu) tenha se dado apenas através de alguma promoção envolvendo as pilhas. Digo isso, pois na contracapa do disco encontra-se a impressão: “Cortesia da EVEREADY – UNION CARBIDE DO BRASIL S/A”. Por esta razão,este disco não é conhecido e não faz parte (ao menos até agora) da discografia oficial do cantor. Tudo isso o transforma em uma peça ainda mais interessante!

Enfim, sem sombras de dúvida o compacto “Teixeirinha põe o seu estoque de pilhas em alta rotação!” se trata da peça mais rara que já passou pelas minhas mãos. Em breve postarei aqui mais fotos dele e, assim que possível, vou upar um vídeo no YouTube mostrando esta beleza em ação. Assim vocês poderão ouvir um pouco das músicas engraçadas e sensacionais gravadas neste pequeno e impressionante disco.


DOSE DUPLA!

novembro 20, 2008

Depois de uma rápida pausa nas postagens, estou de volta com dois textos: o primeiro (“Histórias da vida”) é uma bonita história que me foi enviada por email e que repasso a vocês; o segundo é o prometido Discomentando deste mês, sobre o “Disco de ouro”, 12º LP da carreira de Teixeirinha. Espero que gostem e deixem seus comentários.

Falando nisso, uma orientação: caso queiram postar dúvidas ou sugestões a serem respondidas, optem pela página Chat (no menu que fica no topo da página, logo abaixo o banner). Ali a possibilidade de que eu responda mais rapidamente é maior. A idéia é criarmos um fórum, onde eu e vocês nos comunicaremos com mais agilidade para aqueles assuntos que não necessitam uma postagem de texto específica aqui no blog.

Conto com o apoio de todos e obrigado pelas quase 40 mil visitas nestes pouco mais de 20 meses (e pelas quase 2.000 no novo formato do blog). Obrigado a todos!


Um dia pra não esquecer

novembro 3, 2008
Em meio às flores e aos fãs, Teixeirinha "canta"

Em meio às flores e aos fãs, Teixeirinha

Um menino, lá pelos seus 4 ou 5 anos de idade, carrega um ramalhete de flores e caminha apressado ao lado dos pais no corredor central do Cemitério da Santa Casa, em Porto Alegre. Curioso, ele se admira com uma pequena multidão que cerca um dos túmulos. “Pai, esse é o mais cuidado!” – exclama o pequenino. “Claro! Cantor… Todo mundo conhecia… Era do povão!” – esclarece o pai.

Cenas como esta e tantas outras fizeram parte das homenagens prestadas a Teixeirinha no último domingo, 2 de novembro, dia de Finados. Não foi um Finados típico em relação aos anos anteriores. O tempo não colaborou e circunstâncias até agora desconhecidas também ajudaram a transformar a data num marco da história de homenagens a Teixeirinha no cemitério.

Pela primeira vez em 23 anos, Gauchinha de Bagé - uma fã que sempre organiza a música e a homenagem ao cantor em sua sepultura – não apareceu. Segundo informações, ela está doente. Sem Gauchinha, não ouve música, exceto por alguns minutos, quando um violeiro ensejou uma breve homenagem cantando quatro canções do “Rei do Disco”.

Contudo, o silêncio surpreendente deste ano não afastou fãs, admiradores e a imprensa do local. Cassiano Ceruti e sua esposa chegaram ao cemitério pouco depois das 8h da manhã. Há 11 anos ele comparece às homenagens. Orgulhoso, ele mostra fotografias de sua casa, repleta de pôsteres e imagens de Teixeirinha. Começou a ouvir as músicas do “Gaúcho Coração do Rio Grande” antes dos 10 anos e não parou mais. Hoje, possui todos os discos, filmes e uma coleção grande de recortes de jornal e revista.

Quase todos os que passavam pelo corredor central do cemitério paravam para homenagear ou mesmo conhecer o túmulo de Teixeirinha. As crianças pergutam aos pais quem foi aquele homenzinho. Jovens demonstram admiração. De repente, forma-se uma roda: Teixeirinha era gremista ou colorado? Brizolista ou não? E a Mary, é viva? Quem era melhor, Gildo ou Teixeira? Eu conheci Teixeirinha, e você?

Defesas inflamadas, princípios de brigas, risadas… Tudo se mistura e por algumas horas aquele local não parece ser um cemitério, ele perde o caráter de espaço da paz e da tranquilidade e se transforma na tribuna de fãs “número 1″ que, exasperados, defendem idéias ou simplesmente posicionamentos. De repente a imprensa chega e alguns procuram se destacar. Nelson Pacheco (54 anos), é o preferido dos fotógrafos. Trajado à gaúcho, ele posa para as lentes da Zero Hora orando ou prestando reverência à estátua de Teixerinha.

Entre 8 da manhã e 4 da tarde, cerca de 200 pessoas passaram pelo túmulo de Vitor Mateus Teixeira. Alguns param e resolvem relembrar o ídolo. Outro passam, fotografam ou perguntam pelas homenagens prestadas anualmente e que, desta vez, não aconteceram. Alguns outros simplesmente cruzam pela sepultura lançando olhares curiosos. Mas ninguém passa incólume ante a completamente florida sepultura de Teixeirinha.

Nem Júlio de Castilhos, nem Plácido de Castro, nem a esposa de Rafael Pinto Bandeira. Muito menos o escultor Iberê Camargo, o músico Sidnei Lima ou o poeta Mário Quintana. Ninguém tem mais flores e visitantes do que Teixeirinha. Todos são unânimes: aqui – assim como na música gaúcha – ele também é rei.

Às vezes o movimento diminui. Ficam 4 ou 5 pessoas diante do cantor sorridente que parece dedilhar seu violão de frente para o sol. De repente, chegam mais 10, 15 pessoas. No meio da multidão, está Sebastião, um mineiro muito tímido, admirador de Teixeirinha desde os 8 anos de idade. Ele fita a estátua como se conversasse com ela. Tem todos os discos, assistiu a todos os filmes, acompanha tudo o que pode. Sebastião veio de Minas Gerais especialmente para homenagear – do seu jeito – o cantor do Rio Grande. Foram 18 horas de ônibus.

De longe também vem o senhor Benedito Selles, um simpático bageense que há mais de três décadas mora em Campinas, SP. Benedito se emociona ao contar sobre sua relação com Teixeirinha. Há 30 anos o cantor esteve em sua casa, em Foz do Iguaçu (PR). Tomou um café, conversou, cantou, tirou fotos ao lado de Mary Terezinha e da família de Benedito e depois foi embora. Foi o momento mais emocionante da vida do construtor que estava em Porto Alegre a trabalho e resolveu visitar o túmulo do ídolo no dia de Finados. Benedito conta, com os olhos marejados, sobre o quanto Teixeirinha é imporante em sua vida. “Quando ele morreu, eu amarrei todos os discos, coloquei num armário e não escutei por 2 anos… Tinha medo de chorar…” – revela. Sorridente, ele posa para uma bonita foto ao lado da última morada do cantor.

Benedito Selles veio de Campinas para ver o idolo

Benedito Selles veio de Campinas para ver o ídolo

Histórias, momentos de emoção, lembranças e saudade. Quem vai ao Cemitério da Santa Casa no dia de Finados encontra muito mais do que alguns fãs reverenciando Teixeirinha. Encontra vidas que se cruzam e se complementam pelo poder da música, do cinema, enfim, da arte popular, esta incrível forma de destruir fronteiras e aproximar pessoas.


RÁDIO TEIXEIRINHA – ESTAÇÃO SUL

outubro 18, 2008
Clique e ouça os maiores sucessos do Rei do Disco

Clique e ouça os maiores sucessos do Rei do Disco

 

Novidade pouca é bobabem, não é? Então lá vai mais uma! Agora você pode ouvir os maiores sucessos de Teixeirinha em seu computador com um apenas um clique e aqui mesmo no Revivendo. É a Rádio Estação Sul, que desde o início do ano é mantida pela Fundação Teixeirinha, e que roda as músicas do cantor diaria e ininterruptamente. Agora, além do link no site de Teixeirinha, todos podem ouvir a rádio aqui no blog, clicando no selinho que vai ficar sempre ali, na barra lateral direita do blog. É uma ótima opção pra quem não tem os discos do Gaúcho Coração do Rio Grande, ou ainda para aqueles que desejam ouvir canções mais raras.

 

Vale a pena conferir!


DE CASA NOVA!

outubro 17, 2008

Nova interface visual do Revivendo Teixeirinha

Nova interface visual do Revivendo Teixeirinha

 

Depois de um ano e meio no Blogspot, o Revivendo Teixeirinha está de casa nova. A partir de hoje, começa uma nova etapa neste humilde mas sempre bem freqüentado blog. Ele mudou e para melhor. Agora, ficará sob os cuidados do WordPress, um sistema mais inteligente, dinâmico e eficaz para postagem de textos. Além da mudança visual, o Revivendo passa a ter um novo endereço: http://revivendoteixeirinha.wordpress.com

 

 

 

 

Se você tem o Revivendo Teixeirinha em seus Favoritos, mude agora mesmo o endereço, pois a antiga página no Blogspot não receberá mais atualizações. Mas não se preocupem: todos os comentários e postagens da antiga interface foram importados para esta. É só procurar no Arquivo.

 

Novidades

 

Não é só o endereço do Revivendo Teixeirinha que está mudando. Nesta nova fase, mais interatividade e qualidade serão as palavras de ordem por aqui. Acima da página, logo abaixo do banner que ilustra o blog, vocês podem visualizar um menu com três opções (por enquanto!). A primeira (“Início”) dá acesso à página principal do Revivendo. A segunda (“Chat”) é uma ótima novidade, uma espécie de ChatBox maior e mais fácil de ser utilizada. Nela, poderemos estabelecer um fórum, um espaço de discussão onde os leitores e o próprio autor possam debater. É uma forma de amenizar o final do “Mundo Teixeirinha”. Na terceira aba (“Sobre o blog”), existe um pequeno texto introdutório para aqueles que ainda não conhecem o Revivendo Teixeirinha ou que desejam recordar de alguns bons momentos do blog.

 

Em alguns meses novas abas surgirão ali (fiquem atentos!). Pretendo postar a discografia completa e também uma filmografia ali, mas não se preocupem: avisarei a todos quando isto ocorrer.

 

As postagens continuarão semanais nesta nova fase (ocorrendo, preferencialmente, às quartas-feiras). No entanto, sempre que aparecerem novidades ou fatos curiosos a serem lembrados, entro em “edição extraordinária” através de mensagens menores, no formato “drops”, como já vinha ocorrendo.

 

Espero que gostem do novo Revivendo Teixeirinha! Ele é de vocês.


MAIS UM SUMIÇO!

outubro 15, 2008

Informo aos companheiros do blog que ando meio sumido por conta do período conturbado no mestrado. Espero que até o final de semana eu esteja de volta com outras novidades. O prometido texto sobre dona Zoraida Teixeira e outros “Discomentando” estão na pauta.

Abraços a todos!


REVIVENDO DE VOLTA!

setembro 12, 2008

Depois de muitas semanas sem regularidade nas atividades do blog estou voltando. O motivo da minha ausência? Mudanças, afazeres do mestrado, dedicação à vida afetiva e péssimo gerenciamento de tempo.

Mas agora estou voltando à boa forma. Pra recuperar o tempo perdido, nesta semana e na próxima postarei os dois “Discomentando” que prometi. Hoje, já publiquei a análise sobre o LP “Canta meu povo”. Na próxima semana, é a vez de “Amor aos passarinhos”.

Junto à postagem desta semana, publico também uma série de emails que me chegaram sobre a composição “Maçambique de Branco”. Gostaria muito que todos lessem estas mensagens, pois elas são de caráter informativo e ajudam a esclarecer um equívoco que está ocorrendo com tal canção.

No mais, um grande abraço a todos os que apareceram por aqui nestes dias, desculpem pela demora e continuem acessando, pois pretendo seguir postando alguns “drops” aqui sempre que possível.

Chico


ESCLARECIMENTO IMPORTANTE (sobre "Maçambique de Branco")

setembro 12, 2008

Em março de 2007, logo nas primeiras postagens do blog, publiquei uma matéria intitulada “Moçambique de Branco”, uma dúvida sobre a canção de mesmo título que aparece em várias páginas de letras e cifras sendo de autoria do compositor Teixeirinha. Pois bem, mais de um ano depois, recebi três e-mails que vieram de forma muito satisfatória a esclarecer o mistério. Vou reproduzir dois deles na íntegra, pois os considerei de muito profissionalismo e seriedade.

Primeira mensagem – recebida em 8 de setembro de 2008:

A Música Moçambique de Branco é de Cássio Ricardo e letra de Juarez Weber. Composta em 1998 ou 99 e participante da Tafona da Canção de Osório/RS no ano de 1999 e foi interpretada por Renato Júnior. Está registrada no CD do festival gravado pela ACIT. Tendo obtido o segundo lugar. Não sabemos por que, de repente aparece como de Teixeirinha ou como interpretada por ele. Não há justificativa para isso.

Fica claro que estão sendo feridos os direitos autorais, morais e conexos.

Estão sendo solicitados esclarecimentos junto à Sociedade Arrecadadora.

Maestro Paulo de Campos
Produtor artístico

Segunda mensagem – recebida em 9 de setembro de 2008:

Boa noite
Texto publicado na coluna minha Staccatos no dia 09.09 e a ser, no Jornal Revisão de Osório do dia 11.09.

http://www.cantadoresdolitoral.com.br/p/s/index.htm

Há que se ter cuidado

Constatamos com surpresa, que no Google.com, é mostrada por muitas e muitas vezes a música Moçambique de Branco (de Joarez Weber e Cássio Ricardo, interpretada por Renato Júnior e gravada pela ACIT no CD da Tafona de 1999) como se fosse de Teixeirinha. A música consta em vários sites de cifras sinalizando como artista o Teixeirinha. Não se sabe de onde surgiu esse equivoco. Repara-se, porém, que alguns integrantes dos grupos de danças do CTG Estância da Serra e de outros CTGs (inocentemente é claro, por desinformação) têm colocado imagens de suas danças no YouTube, não só de Moçambique de Branco, mas de várias outras músicas dos compositores daqui do Litoral Norte sem citar a autoria. Ora, isso dá margem para que os “mais espertos” facilmente desvirtuem as informações e desviem Direitos Autorais e Conexos para outrem. Há que se ter cuidado, muito cuidado! Nunca deve ser citada uma música ou outra obra artística na Internet ou em qualquer outro veiculo de comunicação ou mesmo outro lugar qualquer sem que sejam colocados os nomes dos autores e intérpretes. Alguém sempre sai “ganhando um bom dinheiro” com isso. Além de estar ferindo os Diretos Autorais e Conexos, são lesados também os Direitos Morais dos verdadeiros donos da obra.

Conseqüências e erros que podem se perpetuar

Além dos prejuízos morais e financeiros, esses equívocos podem dar margem a divagações e a erros, às vezes, irreparáveis. Ainda bem que não foi o caso do Historiador, mestrando do PPG-História da UFRGS, Chico Cougo, que desde 2004 realiza pesquisas sobre a obra de Teixeirinha, e apresenta em 17 de março de 2007, no seu blog Revivendo Teixeirinha, um texto de análise a respeito da música Moçambique de Branco ser do Teixeirinha, justamente por ter ela características diferentes de todas as outras obras do autor. Em nenhum momento ele afirma ser de Teixeirinha, pelo contrário, coloca em dúvida o que se supõe claro nos sites de cifras. Diz ele: “O Site indica o título da canção e sinaliza Teixeirinha como o artista (friso esta palavra, porque ela não especifica a autoria da letra, mas apenas quem a interpreta). Em meus arquivos e junto às pessoas consultadas, não há qualquer menção a esta música. Não sabemos em que disco ela foi gravada (se é que foi!), quando foi interpretada e até mesmo por quem ela foi cantada. Para completar o mistério, a música nos dá pouca margem de interpretação. Sua temática parece descrever algum ritual característico da cultura negra (que fique claro, estou apenas tentando interpretar a letra!). Não se sabe que ritual seria este e como Teixeirinha teria chegado até ele.”. Depois de mais algumas palavras, ele apresenta a letra original de Moçambique de Branco na integra.

Outros enganos da Internet

Muita coisa na Internet difunde erros grotescos. Isso aconteceu também com as crônicas Tipo Assim e Pai Invisível de Kledir Ramil, que em apresentações PowerPoint, rodaram o mundo inteiro pela Internet como se fossem de Luiz Fernando Veríssimo.

Sendo assim, finda-se o mistério sobre a canção que, na verdade, tem como título “Maçambique de Branco”. Gostaria muito de agradecer ao Paulo de Campos pela gentileza de apontar o equívoco que está ocorrendo com a letra da composição e pelo profissionalismo com o qual analisou a postagem do blog. Sendo assim, vamos frisar mais uma vez: “Maçambique de Branco” é de autoria de Cássio Ricardo e Juarez Weber e NUNCA foi gravada ou cantada por Teixeirinha, já que foi composta mais de dez anos depois da morte do cantor.


MORREU WALDICK SORIANO (1933-2008)

setembro 6, 2008

Morreu na última quinta-feira (04/09/2008) o compositor e cantor baiano Eurípedes Waldick Soriano, mais conhecido por Waldick Soriano. Nascido em 13 de maio de 1933, Waldick teve infância humilde e, quando adulto, trabalhou como lavrador e garimpeiro (entre outros ofícios). No início dos anos 1960 chegou a São Paulo, onde conseguiu chances no meio artístico, até alcançar o sucesso com o bolero “Eu não sou cachorro, não”.

Waldick e Teixeirinha mantiveram contato durante os anos 1970. O gaúcho gravou “Paixão de um homem” (autoria de Soriano) em 1972. Antes disso, ambos protagonizaram uma ardorosa polêmica com o apresentador Flávio Cavalcanti. Em 1970, os dois foram até o programa de Flávio na Tupi do Rio. Lá, eles cantaram e defenderam sua produção artística, muito criticada pelo animador.

Waldick sofria de câncer de próstata e faleceu no Hospital do Câncer, na Zona Norte do Rio.

EDITORIAL

agosto 7, 2008

Há 17 meses este blog foi criado. Ele surgiu num momento em que se rediscutia a importância artística de Teixeirinha e teve, desde o início, o objetivo único e exclusivo de colaborar para o debate sobre a arte de Vitor Mateus Teixeira, trazendo para junto de si os elementos mais importantes neste processo: seus fãs.

Desde o início, me pautei pelos princípios da credibilidade e responsabilidade. Aos pedidos para disponibilização de canções, neguei e disse o porquê. Sobre os assuntos de ordem íntima, ou ainda sobre os quais não se tem absoluta precisão dos fatos, sempre optei pelo silêncio. Ser responsável foi uma palavra de ordem.

Nesta semana, entretanto, algo me chamou atenção. Comentários não-amistosos deixados aqui mesmo no blog sobre “companheiros que possuem material inédito de Teixeirinha (…) e que deveriam compartilhar” não o fazendo “por egoísmo ou vaidade dos donos” não apenas me surpreenderam, como também parecem exigir uma resposta.

Em primeiro lugar: sabemos que existem ao menos cinco grandes colecionadores sobre o assunto Teixeirinha. São pessoas que investiram tempo e capital na montagem de acervos contendo discos, livros, filmes, fotografias, reportagens, etc. Num sentido bastante apropriado, eu diria que estes são “colecionadores profissionais”, pois dedicam parte de sua vida a manutenção e ampliação de seus acervos.

Ao lado destes fãs “profissionais”, existem também os pesquisadores, categoria na qual estou inserido. Hoje, existem ao menos três profissionais de pesquisa que trabalham ou já trabalharam com os vestígios documentais deixados por Teixeirinha. Indubitavelmente, estes pesquisadores vez por outra contam com o auxílio dos “fãs profissionais” e vice-versa.

Me parece evidente que os fãs cujos acervos são menores também tem grande importância nesse processo. Muitos deles têm se dedicado a ampliar seus acervos, adquirindo LPs, fitas de vídeo e mesmo objetos variados. Para isso, também despendem de esforços.

Abrangendo os documentos entre fãs e pesquisadores, temos uma carga de material gigantesca. Entretanto, a disponibilização deste material é uma questão mais complexa do que o imaginado. Primeiramente: os “fãs profissionais”, como já foi dito, despenderam “suor” e muitos recursos para adquirir seus documentos e cabe a eles optarem por publicizar ou não o material. Existem os que concedem direitos de visualização ou mesmo cópias das peças de seus acervos particulares, mas nenhum deles tem obrigação disso. É um direito.

Quanto aos pesquisadores – e no momento, Nicole Reis e eu estamos trabalhando ativamente com o tema – a publicização do material faz parte do próprio processo determinado pela pesquisa acadêmica. Contudo, essa disponibilização não é feita de forma impensada e sem responsabilidades. Tudo o que existe de material coletado é minuciosamente analisado, pois servirá de base para a elaboração dos resultados finais da pesquisa. Portanto: trazê-los a público antes do tempo estabelecido pode ser um ato irresponsável, anti-acadêmico e que prejudicará o pesquisador e sua pesquisa. No momento certo, os escritos finais serão publicados e disponibilizados; e todos os interessados poderão ter acesso ao material em questão.

Mesmo as fotografias, ou antigos recortes de jornal e revista, não são documentos que podem ser estampados aqui no blog ou em comunidades da Internet sem planejamento prévio. É preciso que se tenha em mente o fato de que existem direitos e deveres dos quais nenhum pesquisador (mesmo que mantenha um espaço não-acadêmico de colaboração, como é este blog) deve abrir mão. E a publicação de determinados documentos sem análise adequada não faz parte destes direitos e deveres.

Sei que muitos têm sede por curiosidades, imagens e documentação em geral – e sempre que possível tenho tentado saciar um pouco desta sede aqui mesmo – tanto que, creio, não exista hoje um espaço maior do que este para o assunto na Internet. Mas, aos que possuem ânsia incontrolável por novidades, só me resta aconselhá-los a visitarem a Fundação Vitor Mateus Teixeira, em Porto Alegre – que conta com uma reserva documental de grande monta – ou ainda o Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, também na capital gaúcha. Para os que estão fora, a minha dica é de que procurem por documentos ou mesmo jornais em suas cidades, pois – sem sombra de dúvidas – encontrarão material interessante e, talvez, inédito!

O blog aqui continuará aberto a críticas, sugestões e pedidos. Todos serão ouvidos, mas nem todos podem ser atendidos e espero que este texto tenha sido claro. Desculpem pelo transtorno.

Responsabilidade é um dever de todos!


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