MUNDO TEIXEIRINHA – Edição 33

junho 19, 2008
Venho chegando com mais um Mundo Teixeirinha. Na semana passada, o laboratório de informática da UFRGS (de onde atualizo o blog) ficou sem luz e o “Mundo” não saiu. Agora vamos recuperar a conversa perdida, então!
CDs da Mary

O Lair me pergunta onde pode conseguir os CDs de Mary Terezinha. Confesso que perdi o endereço do site onde eles podiam ser adquiridos. Porém, não creio que seja difícil achá-los em livrarias evangélicas. E por um bom preço!

Teixeirinha morreu

Assim foi o título da matéria de capa da Zero Hora de 5 de dezembro de 1985. O Tales me pede mais informações sobre esta matéria (que não tenho, aliás). Vou ver o que posso fazer, mas já adianto que a ZH reservou neste dia um caderno especial com muitas informações sobre a vida, a obra e a morte do “Rei do Disco”. Um pouco destas informações pode ser encontrado na matéria “Teixeirinha pediu gaita e violão”, publicada na Zero Hora deste ano e postada aqui no blog há alguns meses (ver em Arquivo).

Mais um desafio

A Jéssica Augusto está de volta com seus desafios. Desta vez ela quer saber qual é a música em que constam os seguintes versos: “Tu não vai caçar sozinho / Eu vou levar a Julieta…”. Essa é fácil! A música é Caçando Marrecão, lançada no LP “Lindo Rancho (Copacabana) em 1975. Nela, Teixeirinha conta sobre uma caçada em que participaram ele, Mary Terezinha e a dupla Zezinho e Julieta. Se a matança de fato ocorreu, aí são outros quinhentos…

Discomentando: próximas análises

Atendendo a pedidos de Fernanda Athayde e de uma postagem anônima, vou preencher os próximos meses com os LPs “Amor aos passarinhos”, “Rio Grande de Outrora” e “Disco de Ouro”. Porém, conforme o prometido (e pedido), antes deles falarei sobre outros dois discos: “Teixeirinha interpreta” e “Canta meu povo”. O calendário dos “Discomentando” ficou assim:

Julho – Teixeirinha interpreta

Agosto – Canta meu povo

Setembro – Amor aos passarinhos

Outubro - Rio Grande de Outrora

Novembro – Disco de Ouro

O último mês do ano ainda está sem dono. Alguma sugestão?

Agradecimentos

Muito obrigado a todos os que participaram do blog com suas colaborações, voltem sempr e apareçam cada vez mais com suas novidades. Vocês são a única causa do sucesso desta página. Aos que deixaram recados, agradeço nominalmente: Viviane, Cristina, Marvan, Lair, Nilton, Tales, Jéssica, Fernanda. O meu abraço a todos vocês e até semana que vem com surpresas!


TEIXEIRINHA PELO MUNDO

junho 19, 2008
Teixeirinha no Canadá

Que Teixeirinha alcançou um sucesso incontestável no Rio Grande do Sul e em todo o Brasil, é um fato comprovado. Seus programas de rádio eram transmitidos ao vivo para diversas rádios gaúchas e por tapes para emissoras de outros estados brasileiros. Os filmes, através de distribuidoras variadas, chegavam às salas de cinema de Norte a Sul. Já os discos podiam ser encontrados nas melhores lojas do ramo, como se dizia na época.

O brasileiro, portanto, não tinha dificuldades para ouvir e ver Teixeirinha (e olha que nem toquei nas tantas vezes em que o cantor participou de programas de TV e nem nas diversas publicações onde ele aparecia). Mas, não é de hoje que muitos brasileiros saem da pátria verde-amarela para tentar a vida em terras estrangeiras. Já nos anos 60 e 70 eram milhares os emigrantes brasileiros pelo mundo. Como destinos principais, a Europa e os Estados Unidos se destacavam na preferência dos que buscavam melhores condições de vida em outros países.

Afastados de sua terra natal, estes tantos brasileiros espalhados por aí tinham motivos de sobra para sentir saudades. E enganam-se os que imaginam que estas saudades fossem apenas da família e dos amigos. Até porque, é exatamente nos momentos de afastamento que nos damos conta da importância dos pequenos detalhes. E a música é um destes detalhes que fazem a diferença.

Entre as milhares de cartas recebidas por Teixeirinha em Porto Alegre, algumas muitas vinham de brasileiros radicados no estrangeiro. Dos Estados Unidos, muitos brasileiros pediam para que o artista mandasse recados a seus familiares, além de solicitarem discos, fotos e notícias. Da Europa e África, chegavam não apenas cartas de emigrantes brasileiros, mas também correspondências de portugueses, angolanos, timorenses, sul-africanos e outros vários países de língua portuguesa, onde – espantosamente! – os discos de Teixeirinha eram divulgados pelas rádios locais e vendidos em lojas especializadas.

Teixeirinha, que de bobo não tinha nada, sabia de seu sucesso no exterior através dos relatórios de vendagens emitidos pelas gravadoras e também das próprias cartas dos fãs. Pelos idos da primeira metade dos anos 1970, quando Teixeirinha rodava os primeiros filmes de sua produtora, a possibilidade de medir este sucesso pessoalmente apareceu: empresários queriam levá-lo para uma turnê em Portugal e África do Sul, entre outros países. O contrato chegou a ser acertado, mas as apresentações não aconteceram, pois a crise política portuguesa e as próprias dificuldades de Teixeirinha (que estava as voltas com a divulgação de “Ela tornou-se freira” e “Teixeirinha a Sete Provas”) levaram cantor e empresários a desfazerem os acordos pré-estabelecidos. E desta forma, aliás, nem Teixeirinha conheceria a Europa e África e nem os europeus e africanos conheceriam pessoalmente o “Rei do Disco” brasileiro.

Apesar da excursão pelo Velho Mundo não ter acontecido, é difícil dizer que Teixeirinha não teve experiências pelo estrangeiro antes da década de 1970. De larga fama pelas cidades da fronteira gaúcha, o artista já visitara nossos principais vizinhos no início da carreira e, volta e meia, estava no Uruguai e Argentina apresentando-se em rádios e shows. Embora fossem países fronteiriços, eram viagens estrangeiras.

Mas ainda faltava visitar aqueles fãs mais afastados. E a chance apareceu já entre os anos de 1973 e 1976. Neste período, Teixeirinha conheceu a América do Norte, começando pelo Canadá, onde animou um baile de carnaval. Isso mesmo! Contratados como a grande atração brasileira dos últimos tempos, Teixeirinha e Mary Terezinha foram pagos para atuar como os animadores de um show voltado para a colônia brasileira no país. Anos depois, em virtude do sucesso, Teixeirinha voltaria ao Canadá mais uma vez.

Mas foi nestes meados dos anos 1970, que Vitor Mateus Teixeira e Mary Terezinha fizeram sua viagem mais conhecida no estrangeiro. Sucesso entre os brasileiros nos Estados Unidos, ele foi contratado para uma grande turnê naquele país. A caravana começou na cidade de Providence com duas apresentações no dia 24 de junho de 1975. Os shows foram realizados no Rock Point Park (localizado na Off Route 117, Warwick Neck, Rhode Island) às 15 e 19 horas e – conta-se, que o público teria girado na média de 5 mil pessoas. Depois de Provindence, “o maior cantor do folclore brasileiro” (assim Teixeirinha era anunciado) foi para Nova Jersey – lá ele ficou por duas semanas –, seguindo para Boston e Nova York (onde conheceu até o Empire State, famoso e gigantesco edifício cravado no centro financeiro do mundo).

No retorno dos Estados Unidos, Teixeirinha compôs uma música em homenagem àquela experiência pelo exterior. Em Cantando nos States, ele contava de forma bem-humorada algumas de suas peripécias pela terra do Tio Sam. Nos versos finais, ele diria: “Conheci Boston e vim pra Nova York / No Empire State pra ver eu entrei / Subi nos cento e trinta e oito andares / Cidade linda eu admirei”. E, para arrematar (como o próprio Teixeirinha gostava de dizer), o cantor revelava o resultado daquela viagem: “Depois chegamos no aeroporto / Junto da Mary o avião tomei / Feliz chegando no nosso Brasil / Eu trouxe dólar e a fama deixei”.

Que pena que não existiram mais viagens ao exterior e que não tivemos também uma Cantando em Portugal, Cantando na África, Cantando em Angola e por aí vai.


DISCOMENTANDO: Carícias de amor (1970)

junho 12, 2008

Quando completou 10 anos de carreira, Teixeirinha renovou o visual e lançou o disco “Volume de Prata”, LP de produção sofisticada e destinado a comemorar sua primeira década de sucessos. No ano seguinte, 1970, ele teve a árdua tarefa de produzir um long-play tão bom quanto aquele. Então, no primeiro semestre do ano em que o Brasil seria tricampeão mundial de futebol, surgiu “Carícias de amor”, quinta produção de Teixeirinha pela Copacabana.

Apesar do nome, “Carícias de amor” não é um disco 100% romântico. Muito pelo contrário. Em seu repertório, destacam-se peças variadas, com pouca repetição de ritmos e temas. Porém, o instrumental que serviu de base para o LP é o mesmo em praticamente todas as 11 faixas. Além disso, possivelmente por questões de cronometragem, este disco possui uma música a menos (somente uma canção apresenta menos de três minutos de duração).

Basicamente, o LP de código CLP-11603, traz diversas músicas de fácil assimilação. O disco começa com “Não é papo furado”, um xote onde se destacam os principais instrumentos presentes na gravação: violão, gaita e percussão (de triângulo, cascos de cavalo, “agê”, etc.). A composição é um misto de saudação aos fãs e provocação aos críticos, no mais alto estilo de Teixeirinha.

As duas faixas que se seguem no lado A de “Carícias de amor” são românticas e apresentam um estilo muito próprio, caracterizado pelo sofrimento de quem canta. No tango “Estradas que se vão”, Teixeirinha deixa de lado o tradicional ritmo “marcado” e parte para uma proposta mais moderna, inspirada nos tangos mais lentos e com ampla utilização de violinos. Na letra, ele conta sobre o dia em que encontrou sua amada pedindo-lhe perdão. A magia desta peça é a possibilidade que cria no ouvinte que pode “visualizar” as cenas descritas pelo cantor (“Tomei-lhe as mãos / e os seus joelhos descolaram-se do chão…”).

A terceira canção do álbum é “Só quero vingança”, uma guarânia que se utiliza de violino, gaita e violão. Esta é, sem dúvidas, uma das mais belas músicas gravadas por Teixeirinha – e também uma das menos lembradas. Ao ouvido minimamente treinado, fica claro que a composição é inspirada em “Vingança” de Lupicínio Rodrigues. A história fala sobre uma mulher que, desesperada, retorna a sua terra natal em busca do perdão do amado. Ela bebe e se desespera, mas ele não a deseja mais e, além disso, ri de tal situação num gesto de vingança.

“Tristeza”, a quarta canção do LP, é um samba cantado exclusivamente por Mary Terezinha. Gaita, violão, cavaquinho e pandeiro compõem um arranjo belíssimo com direito a breque e tudo mais o que caracteriza um grande samba. Já “Minha querida” é uma valsinha romântica e com bonito arranjo. Para encerrar a primeira face de “Carícias de amor”, um desafio de título “Briga bonita” faz a festa dos ouvintes. Desta vez, a história começa com uma guerra de rimas envolvendo as cidades de Passo Fundo e Bagé. No decorrer da canção, a dupla vai brigar em São Paulo e até o então presidente Médici e o apresentador Flávio Cavalcanti são citados durante a gravação.

Finalmente, abrindo o lado B, a faixa-título: “Carícias de amor”. Trata-se de um arrasta-pé com instrumental bem caracterizado pela ação de violino, cuja letra é de uma simplicidade imensa. No refrão (“Pega, pega, pega, pega / cachorrinho mordedor / vai morder devagarinho / o pezinho do meu amor”), fica evidente um direcionamento ao público infantil, elemento presente em Teixeirinha desde seus primeiros sucessos – “Não e não” e “Dou e dou” como exemplos maiores.

“Rancheira bonita”, “Azulão” e “Saudade do xote” compõem o “miolo” desta segunda parte de “Carícias de amor”. A primeira e a última são homenagens aos dois ritmos sempre presentes na carreira de Teixeirinha. “Azulão”, por sua vez, remonta uma história muito semelhante a de “Canarinho cantador” – antigo sucesso do “Rei do Disco”. Com exceção desta canção, as outras duas são as grandes contribuições deste disco aos ritmos regionalmente gaúchos.

Por fim, mais um desafio: “Bom de bola”. Agora, ao invés de defenderem Grêmio e Internacional, Teixeirinha e Mary Terezinha se engalfinham na briga por Corinthians e Palmeiras, no maior duelo do futebol paulista. O sucesso fica por conta das piadas envolvendo a torcida do “Timão” e a “italianada” palmeirense.

Um detalhe que não pode passar desapercebido é a capa de “Carícias de amor”. Nela, Teixeirinha aparece trajado como os cantores de tango (terno escuro e chapéu ladeado, à Gardel), num estúdio de gravação. Por detrás do cantor (que está abraçado a um violão), aparecem três pedestais para microfones e sete músicos reunidos em pequenos grupos. Com exceção de um dos instrumentistas (o que toca contrabaixo), todos os outros estão sentados tocando algum instrumento. São violões, cavaquinho e percussão. Exatamente atrás de Teixeirinha, encoberta pelo braço esquerdo do cantor, podem ser vistos os pés de uma mulher (usa sandálias brancas e de salto alto). Sobre as pernas da moça, um acordeom, o que nos faz pensar que só pode ser Mary Terezinha quem está ali. Na contracapa, só aparecem o nome das canções do disco e miniaturas de outras seis capas de LPs gravados por Vitor Mateus Teixeira na Copacabana.

Particularmente, creio que “Carícias de amor” não é o melhor dos discos gravados por Teixeirinha nesta fase de sua carreira (que, aliás, julgo ser a de maior qualidade). Contudo, sem dúvidas é um grande disco que – se não deixou uma música marcante como “Dorme Angelita” ou “O colono” – ao menos deu pérolas como “Não é papo furado” e “Só quero vingança” (em minha opinião, a melhor composição do álbum). De zero a dez, classificaria este LP com a nota sete, oito talvez. Até porque, os anos 1970 dariam títulos muito mais bem produzidos na carreira do “Rei do Disco”.


RÁDIO TEIXEIRINHA On-Line

junho 5, 2008
RÁDIO TEIXEIRINHA

Aviso a todos que já está no ar a Rádio Teixeirinha On-Line, mantida pela Fundação Vitor Mateus Teixeira. Lá, o ouvinte e fã do “Rei do Disco” pode ouvir a todo o seu repertório sem interrupções e sem comerciais. É uma boa forma para quem quer escutar algumas canções difíceis de encontrar ou ainda para quem quer conhecer mais sobre “O Gaúcho Coração do Rio Grande”.

O endereço da rádio é http://www.teixeirinha.com.br/radio-on/no-ar/layout.asp

Em caso de dúvidas, acesse http://www.teixeirinha.com.br/ e clique no ícone “No Ar”, no canto direito da página.


MUNDO TEIXEIRINHA – Edição 32

junho 5, 2008

Alô amigos! Nesta semana tivemos várias mensagens e centenas de visitas, comprovando que o blog ainda está com grande fôlego e cada vez mais frequentado. Como há muito o que responder, vou logo iniciando os trabalhos:

CDs

Continua a peregrinação dos fãs em busca de CDs de Teixeirinha e Mary Terezinha. Na semana passada, a Cristina perguntou aqui no blog porque os discos gravados por Mary não foram lançados pelo selo Galpão Crioulo Discos. É uma boa pergunta, mas não sei se as respostas são tão satisfatórias assim. Em primeiro lugar, não parece existir muita vontade da gravadora em lançar tais discos. Depois, não se sabe ao certo, mas é possível que a própria Mary não queira o relançamento (tendo em vista o fato de ter se convertido a religião evangélica e só cantar músicas gospel). Mas enfim, é uma pena que estes LPs não estejam sendo vendidos por aí!

Falando em Mary…

Fiquei muito feliz com os comentários positivos que foram deixados aqui no blog depois da postagem em que apresentei a discografia da “Menina da Gaita”. Estas mensagens, mais do que elogios, só comprovam o fato de que Mary continua sendo a “Princesinha do Acordeom”! Sobre informações acerca da mãe de Terezinha, ainda não consegui nenhuma informação.

Os carangos de Teixeirinha

Certamente influenciado pela matéria “Apaixonado por carro…” (ver em Arquivo), o Tales Leote me pergunta o que foi feito com os automóveis de Teixeirinha depois de sua morte, em 1985. Realmente, creio que eles tenham sido vendidos (alguns talvez pelo próprio Teixeirinha), pois não há vestígio de nenhum deles na família.

Esclarecendo…

O Celso me deixou o seguinte recado: “voce disse que o gaucho da fronteira, o paulinho mixarina, a berenice azambuja e os serranos nas conseguiram repercussão nacional. eles conseguiram repercussão e fama internacional”. Realmente, não lembro de escrito dito isso (apenas afirmei que nenhum deles superou Teixeirinha). De qualquer maneira, se há a possibilidade desta interpretação no texto “Fenômeno Teixeirinha: É possível?”, quero reiterar que os cantores citados fizeram sim sucesso.

A Gaita Nua

A Elci Dal Olmo me pergunta como encontrar o livro “A Gaita Nua”, autobiografia de Mary Terezinha. Não tenho de pronto o endereço do site para compra do livro, mas nos arquivos do blog é possível encontrar uma explicaçãosobre como adquiri-lo. De qualquer forma, na semana que vem vou procurar direitinho o caminho e divulgar novamente.

Angelina

Recebi um recado muito especial da fã Angelina, fãzona de Teixeirinha que mora no Paraná. Ela me agradeceu muito pelo blog e mandou abraços a todos. Aproveito a ocasião para exibir a vocês dois vídeos que circulam pelo site YouTube há tempos. São dois trechos de um programa especial feito pela TVC (Paraná) em que Angelina é homenageada.

http://www.youtube.com/watch?v=Wv2jH1xLJus [Parte 1]

http://www.youtube.com/watch?v=djBzRkoIHwo&feature=related [Parte 2]

Agradecimentos

Agradecendo a todos os que visitaram o blog ou deixaram recadinhos. Um abraço especial para: Roberto, Tales, Cristina, Celso, Elci, Angelina, Claudiomar (obrigado pelo e-mail!) e, especialmente, para o sempre amigo Arnaldo Guerreiro, com o qual tenho conversado menos do que devia mas que sempre está ligadinho aqui no blog direto de Portugal. Obrigado a todos!

Fiquem agora com a matéria “A marca T”. E na semana que vem chega o “Discomentando” de junho com o LP “Carícias de Amor”. Fui!

A MARCA T

junho 5, 2008
Não é segredo de ninguém: Teixeirinha foi mais do que um cantor de sucesso. Era também um homem de negócios quase sempre rentáveis e milionários. Possuía apartamentos, carros, casas, fazendas, contas bancárias e, depois de 1971, a maior produtora de cinema da região sul do Brasil.

Depois que estourou como sucesso nacional, em 1960, o nome Teixeirinha tornou-se uma marca. E numa época em que, diga-se de passagem, tal atitude não era tão comum. Seus negócios começaram com a venda de shows e, logo depois, se estenderam à produção radiofônica. Já nestes primeiros anos, Teixeirinha gravava programas de rádio que eram vendidos para todo o país. Líderes de audiência, estas atrações recebiam milhares de cartas mensalmente. Na correspondência, notícias, pedidos (os mais variados) e elogios.

Na maioria das cartas recebidas pelo escritório que Teixeirinha abrira em Porto Alegre (tendo como endereço inicial a Galeria Di Primo Beck, na tradicional Rua da Praia), os remetentes cobravam atenção do artista. Ciente de que seu público era o grande combustível de seus empreendimentos, o cantor logo percebeu as necessidades de comunicar-se com ele não apenas através do rádio e das canções que gravava, mas também através da correspondência.

Uma das primeiras marcas utilizadas pelo escritório de Teixeirinha
Não há como precisar quando surgiram as primeiras cartas padronizadas (correspondências com o mesmo conteúdo e enviadas para os fãs junto a pequenos cartões postais com imagens de Teixeirinha e Mary). O que se pode dizer é que no final dos anos 1960, Teixeirinha já começara a explorar seu nome enquanto marca nas cartas que remetia aos fãs. Num primeiro momento, as correspondências traziam em seu cabeçalho a mensagem “TEIXEIRINHA E MARY TEREZINHA – Artistas exclusivos da Rádio e Televisão Gaúcha de Porto Alegre” (posteriormente, o nome “Gaúcha” seria alterado para “Farroupilha”).
A Organização Teixeirinha, embrião da Teixeirinha Produções Artísticas Ltda.

Mais tarde, entretanto, o escritório do cantor torna-se “Organização Teixeirinha” e os documentos emitidos por ele trazem este nome acompanhado de “Victor Mateus Teixeira”. Foi nesta época – entre os anos de 1970 e 1972 – que surgiu a Teixeirinha Produções Artísticas LTDA., empresa responsável não apenas pela produção dos filmes do artista, mas de todo o seu contato junto ao público (nas mais diversas formas).
Durante os pouco mais de dez anos de existência, a Teixeirinha Produções contou com dois logotipos. O primeiro – bastante simples, onde se vê apenas o nome “TEIXEIRINHA PRODUÇÕES” – aparece nos cartazes dos filmes “Ela tornou-se freira” (1972) e “Teixeirinha a 7 Provas” (1973). Já o segundo aparece pelos idos de 1975, e é composto de um “T” estilizado lembrando duas bandeiras contrapostas.
Logomarcas da Teixeirinha Produções Artísticas e assinatura do cantor

Não se sabe quem teria elaborado as marcas. Também não há certeza de que elas tenham sido utilizadas para outros fins além dos já mencionados (timbre das cartas e cartazes de filmes). De qualquer forma, os logotipos – apesar da simplicidade – constituíram-se na verdadeira “marca T”, superáveis apenas quando comparados com a marca maior de Teixeirinha: sua assinatura.
Atual logotipo da Fundação Teixeirinha
Em 1999 a marca Teixeirinha Produções Artísticas deu lugar a Fundação Vitor Mateus Teixeira. Com esta, uma nova marca – agora mesclando o violão com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul – surgia, dando seqüência ao legado das marcas “T”.

MUNDO TEIXEIRINHA – Edição 31

maio 29, 2008

Mais uma semana corrida, mas desta vez consegui manter o ritmo de postagens e logo abaixo está mais uma matéria especialmente preparada para vocês. Como não venho tendo muitos comentários (o pessoal anda sumido…), vou apenas responder às duas únicas participações que estão pendentes.

Filmes

O Marcus Vinícius pergunta como pode adquirir a filmografia de Teixeirinha. Realmente, é uma tarefa tão difícil quanto reunir todos os LPs do cantor. Em primeiro lugar, porque o filme Coração de Luto está em poder do Museu do Trabalho (por trás dele está o grupo RBS) que ainda não acenou com a possibilidade de relançá-lo em DVD. Já Motorista sem limites, pertence a Itacir Rossi (dono da extinta Interfilmes) que, ao que parece, também não pretende relançar a película. Os outros 10 títulos, produzidos pela Teixeirinha Produções, dependem de verba e de um projeto de recuperação. Espero que pelo menos estes possam ser relançados em breve. Por enquanto, até onde me lembro, a Fundação Teixeirinha disponibiliza cópias dos filmes em fitas cassete mediante o pagamento de uma quantia. É sempre bom lembrar que também circulam por aí cópias clandestinas das produções.

Agradecimento

Fiquei bastante feliz em saber que o amigo “Gaúcho On-Line” (Jaison), gostou da última matéria postada (“Fenômeno Teixeirinha: é Possível?”). Ele deixou um comentário ótimo e bem produtivo pelo qual agradeço. Grande abraço, amigo!

Um abraço também a todos os que pitaram por aqui na última semana. E quero lembrar que estou pondo em dia todos os pedidos que vocês me fizeram. Semana que vem tem mais!

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