Um “até logo”

maio 10, 2009

Meus queridos leitores e, porque não dizer, amigos: depois de uma longa estada envolvido com meu trabalho de pesquisa, finalmente consegui um tempo para escrever-lhes algo importante: estou suspendendo as atualizações deste blog por tempo indeterminado.

Como sabem, no início de 2008 me mudei para Porto Alegre com o intuito de pesquisar a vida e a obra de Teixeirinha. Todo o material coletado se transformará, em breve, na minha dissertação de mestrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A vida numa capital – para quem vem do interior – é corrida, e o ritmo de um mestrando também. Desde que fixei moradia em Porto Alegre, não tive mais condições de manter o blog atualizado com a mesma periodicidade, o que me deixou bastante chateado – tendo em vista o número de pessoas que sempre freqüentaram a página.

Tentei de todas as maneiras manter o blog em dia. Sei da importância deste espaço e sempre quis fazer dele o melhor possível. No entanto, os afazeres do mestrado e da própria vivência na capital, me impeliram a abandonar a página aos poucos, sem que – por fim – eu conseguisse cumprir com meus próprios prazos.

De antemão, quero dizer que este blog não é tão fácil de ser mantido quanto outros. No Memórias do Chico – minha página pessoal, onde discuto temas variados – consigo manter um ritmo diário de postagens que me consomem pouquíssimo tempo. Aqui, entretanto, existe um público mais exigente, os assuntos obrigatoriamente têm que girar ao redor do mesmo eixo (Teixeirinha) e é muito difícil ter sempre uma boa pauta. Além do mais, a tarefa de escolher imagens, temas e notícias que não firam o ineditismo de minhas pesquisas e nem aos próprios traços particulares de Teixeirinha, é bastante complicada. Sendo o blog de um pesquisador (embora eu sempre tenha buscado um distanciamento quando escrevi aqui), é preciso que determinadas peculiaridades sejam respeitadas. É questão de ética profissional.

Eu poderia prosseguir postando textos rasos uma vez a cada um ou dois meses, mas não acho justo desrespeitá-los desta forma. A uma página que sempre teve como preocupação a qualidade dos textos, das imagens e das novidades, não convém esse decréscimo de qualidade.

Por estas e outras, estou encerrando o Revivendo Teixeirinha. Mas deixo claro: a página continuará no ar, como uma pequena enciclopédia de textos sobre o “Rei do Disco”, um depositário de informações muito úteis (creio eu), para aqueles que não conhecem, ou que querem aprender mais sobre Teixeirinha. Continuarei – na medida do possível – atendendo às dúvidas e curiosidades dos fãs através do meu endereço de email, o chicocougo@gmail.com . E, claro, estando a página no ar, procurarei – sempre que possível – conferir se alguém deixou um novo comentário e se posso auxiliá-los.

Também esporadicamente, pode ser que eu reapareça com algum novo texto especial, ou ainda com algum material de interesse, que não me demande muito tempo e maior compromisso com as atualizações da página.

Peço desculpas a vocês, que leram este blog, por esta interrupção. Ficam pendentes, eu sei, os Discomentando e outros textos que vinha prometendo há alguns meses. Se for possível, tentarei cumprir ao menos estes compromissos em algum momento de férias ou folga prolongada.

Por fim, é preciso que eu agradeça às 70 mil visitas que esta página teve durante seus pouco mais de 2 anos de existência. Este blog, sem sombra de dúvidas, marca um ponto importante na preservação da memória de Teixeirinha, principalmente pela forma com que seus fãs interagiram sempre. É uma pena que eu não possa dar continuidade a este trabalho, mas saio dele satisfeito com a repercussão alcançada e com o grande número de novos amigos que fiz,  bem como de inéditas informações que recebi.

Como já disse, nada me priva de retornar ao Revivendo vez por outra. Sendo assim, não os direi “adeus”, mas apenas um “até logo”. E um muito obrigado por tudo, mais uma vez.

Grande abraço a todos,

Chico Cougo


Parabéns, Mary!

março 30, 2009

117Foi há 63 anos, num 30 de março, às oito e meia da manhã, que a filha de Wilma Cabral Brum e Euclides do Nascimento Brum veio ao mundo. Foi a primeira de seis rebentos. Batizaram-na de Mary Terezinha Cabral Brum. Mary, sugestão de um tio. Terezinha em alusão à Santa Teresinha, de quem dona Wilma era devota.

Mary nasceu em Tupanciretã, mas andou por outros municípios durante a infância – andanças contadas, a propósito, em A gaita nua, seu livro de memórias. Lá pelo início da adolescência, a moreninha que já floreava as primeiras notas no acordeom chegou à Bagé. Na “Rainha da Fronteira” e ao lado de sua família, estabeleceu residência. Ali,  em abril de 1961, conheceu o parceiro que mudaria sua vida.

A história é conhecida dos fãs e já foi contada em documentários, livros e entrevistas. Teixeirinha chegara a Bagé para se apresentar no Cine Glória. Gravara Coração de luto no ano anterior e estava “estourado” em todo o Brasil. Mary, com apenas 15 anos, era famosa na região por tocar as canções do “rei do disco” nas rádios locais. O apelido, “Teixeirinha de Saias”, não deixava dúvidas sobre o talento da menina.

Na noite de 4 de abril, os bageenses se acolheraram nas dependências do Glória para ver Teixeirinha. Detrás da cortina, o mais novo astro da MPB estava com problemas: seu gaiteiro, Ademar Silva, não conseguira chegar a tempo para o show. Quem acompanharia Teixeirinha?

Enquanto isso, Mary havia ganho um concurso que premiava quem melhor cantasse uma canção de Teixeirinha. O diretor da Rádio Cultura de Bagé – um dos organizadores do show com o cantor – viu, então, a solução para o problema de Teixeira. Chamou Mary e perguntou se a moça teria coragem de acompanhar o artista.

Ela teve. Dali, saíram para sete apresentações que se transformaram em mais de 500 canções gravadas, em 5 dezenas de LPs, 12 filmes, incontáveis shows e programas no rádio, infinitos “Certo, Teixeirinha!”, dois filhos e um sucesso absoluto. Teixeirinha e Mary Terezinha passaram à História como a mais querida dupla de artistas do sul brasileiro. São lembrados até hoje como referência musical do Rio Grande do Sul para o Brasil.

Em 1984, veio a separação da dupla. Teixeirinha seguiu carreira solo até o ano seguinte, quando faleceu. Mary, saturada das polêmicas acalentadas pela imprensa brasileira, saiu do país, casou-se com o mentalista Ivan Trilha e só regressou tempos depois, quando voltou a produzir e gravar discos. Em meados dos anos 1990, converteu-se ao neoprotestantismo e tornou-se cantora gospel, com três CDs gravados.

Hoje, tudo indica que busca o anonimato. Mas não foi esquecida pelos milhões de fãs que, diariamente, escutam suas canções, divertem-se com suas rusgas ao lado de Teixeirinha (através dos memoráveis desafios) e que lembram, com saudades, da “menina da gaita” que continua no coração do Brasil.

Parabéns, Mary.


Revivendo voltando

março 30, 2009

Pessoal, nesta semana que se inicia prometo voltar às postagens. Como o modelo “drops” não deu certo (eu realmente estou com o tempo curto para o Revivendo), voltarei ao formato antigo: um texto convencional por semana. O primeiro será sobre o aniversário de Mary Terezinha, no próximo dia 30.

Aguardem e obrigado pelos acessos!


Escolha o “Discomentando” de abril

março 10, 2009

Caros amigos do Revivendo Teixeirinha. Não sei se estão dando falta da nossa sessão “Discomentando”, que sempre fez muito sucesso por aqui. Só para relembrar, foram 14 Lps analisados (abaixo a lista dos que já foram) ao longo de iguais 14 edições. Desde a 9ª ou 10ª edição adotei a prática de aguardar por pedidos para que os discos fossem trabalhados. No início não faltaram sugestões, mas agora há tempos não vejo os blogueiros pedindo por LPs novos. Sendo assim, decidi criar uma enquete (espero que dê certo) propondo três nomes para a próxima edição do “Discomentando”. Vocês podem votar no que preferirem e o que receber mais indicações será a bola da vez da sessão.

Antes da enquete (não deixem de votar!), vai a lista dos discos já comentados:

“Quem é você agora”; “Disco de ouro”; “Rio Grande de outrora”; “Amor aos passarinhos”; “Canta meu povo”; “Teixeirinha interpreta”; “Carícias de amor”; “Guerra dos desafios”; “Assim é nos pampas”; “Dorme Angelita”; “A grande noite da viola”; “Teixeirinha show”; “Última tropeada”; “O gaúcho coração do Rio Grande”.

Para acessar aos “Discomentando”, basta digitar o nome da coluna no campo de busca aqui do blog (na barra lateral). Abaixo, segue a enquete:

Votem e comentem!


Jimmy Pippiolo

março 10, 2009

Olá povo! A poeira está baixando e, aos poucos, a rotina do blog vai sendo retomada. Hoje, percorrendo meu email, me deparei com uma mensagem muito bacana enviada pelo André Ilha, colaborador assíduo da Fundação Teixeirinha e grande figura que sempre me dá aquela forcinha quando preciso de alguma coisa mais urgente para as pesquisas.

O André enviou o email em meados de dezembro passado, mas acabei sem tempo de publicá-lo no época. Resultado: esqueci completamente da mensagem e ela foi para o histórico da caixa principal, ou seja, desapareceu das minhas vistas.

Hoje, felizmente, lembrei do achado. É uma foto muito, mas muito legal, do eterno Jimmy Pippiolo, que participou de 10 dos 12 filmes de Teixeirinha. Jimmy é chileno e em todos os longas fez o “terceiro” papel, o cômico que armava a maior confusão nas situações mais diversas. A primeira aparição de Pippiolo ao lado de Teixeirinha ocorre em 1969, no Motorista sem limites (Interfilmes). Depois, foram duas fitas como Don Chiquito – empresário de Teixeirinha em Ela tornou-se freira e Teixeirinha a 7 provas – e mais sete películas em personagens variados.hpim43941

Pippiolo vive hoje em Tramandaí (litoral gaúcho), tem 64 anos e continua fazendo shows. A foto foi tirada durante sua visita à Fundação Teixeirinha, em dezembro passado. Quem aparece junto a Jimmy é o próprio André Ilha.

Ainda hei de entrevistar o Jimmy! Grande figura!


Um dia especial

março 3, 2009

0583 de março. Há 82 anos, nos confins do Rio Grande do Sul, nascia Vitor Mateus Teixeira. Aquele menino, filho do carreteiro Saturnino e da lavradora Ledurina, quem diria, anos depois passaria à história como o mais popular artista do sul brasileiro. Antes disso, foi o “menino órfão”, uma espécie de “canarinho cantador” que guardava dentro do peito o seu “coração de luto”. Cresceu, andou pela “fazendinha”, trabalhou na “velha estância”… E com o “inseparável violão”, conheceu a “milonga da fronteira”.

Mais tarde, com seu “traje de gaúcho”, ou à paisana – mostrando conhecer “os dois lados da vida” – virou o rei do disco e saiu para “a grande viagem”, conhecendo “Norte e Nordeste”, alegrando platéias no “Centro-Oeste brasileiro” e falando a todos: “Não é papo furado”!

Certo dia, o “gaúcho de Passo Fundo” (cidade-berço artístico), uniu-se à “menina da gaita” e saíram pelo mundo, “cantando nos States”, “improvisando” e levando milhões à loucura com o “desafio” de ser sempre a “fonte de beleza” que alegra os corações de “um mundo de amor”.

aniversarioForam mais do que “20 anos de glória”, mais do que um “rio de água” que passou por nossas vidas, cantando a “madrugada” ou as “mágoas do poeta”. Teixeirinha foi o “malandro legal”, “o colono” do disco que não teve “orgulho quebrado”, mas que sempre foi “parada dura” de enfrentar.

Teixeirinha não morreu. Está nos discos, nos filmes, na memória das pessoas e nas 50 mil visitas que este blog recebeu em apenas 2 anos (completos hoje!) de vida.

Palmas para Teixeirinha. Ele merece.


Orkuteiros #1

fevereiro 28, 2009

OK, mais uma vez me desculpem pela ausência aqui no blog. Tenho me dedicado quase que integralmente a escrever a dissertação e, por isso, acabo ficando ausente, sem atualizações regulares e muitas vezes sem atender aos pedidos e responder às questões. O tempo é curto, mas, na medida do possível, vou atualizando.

Como parte das novidades que prometi para este ano, estou estreando hoje um novo quadro, o Orkuteiros. É o seguinte: muita gente que acessa este blog tem perfil no Orkut e um bom número destas pessoas me adicionou como amigo por lá. São grandes fãs que volta e meia aparecem com fotografias interessantíssimas em seus álbuns, fotos de Teixeirinha, Mary Terezinha ou algo relacionado a ambos.

Decidi, então, escolher um orkuteiro por post e publicar uma destas interessantes fotos aqui. Quem não é meu amigo no Orkut, mas quer participar, pode deixar o endereço do álbum (desbloqueado) nos comentários ou no Chat. Se a foto for boa, posto aqui sempre com algum comentário rápido.

Hoje, em cartaz, uma imagem retirada do álbum de Flávio Teixeira, lá de Pernambuco. É um promocard da Hepagosina, um popular digestivo que, nos anos 1970, tinha o casal mais querido do Rio Grande do Sul como garotos-propaganda. Fantástico, não?


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