DISCOMENTANDO: “Rio Grande de Outrora” (1981)

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O LP “Rio Grande de Outrora”, protagonista deste Discomentando, é um dos discos menos conhecidos de Teixeirinha. As canções gravadas nele são até hoje pouco divulgadas, o long-play parece não ter alcançado a mesma repercussão dos grandes sucessos do cantor e até a capa que envolve o vinil é uma quase desconhecida dos fãs (a que aparece no gráfico é uma adaptação).

 

Lançado em dezembro de 1981, dentro da estratégia projetada pela gravadora Chantecler para vender os discos de Teixeirinha no Natal, o “Rio Grande de Outrora” é o único LP com composições inéditas do Rei do Disco durante este ano (excetuando-se as gravações ao vivo em “A Grande Noite da Viola”). Como a maioria dos outros discos do “Gaúcho Coração do Rio Grande”, este traz 12 canções sobre temas e ritmos variados e com a participação de Mary Terezinha no vocal e no acordeão.

 

No começo do LP, uma surpresa: ao invés da faixa-título, optou-se pela composição folclórica Roda de meia caña, numa adaptação de Teixeirinha. No instrumental, uma boa mostra do que seria todo aquele disco, baseado em gaita, violão, contrabaixo e percussão. Na primeira faixa, Teixeirinha compõe dueto com Mary, numa gravação animada. A segunda canção, Meu tango triste, traz a participação de violinos e de um piano no conjunto instrumental. A letra fala sobre uma história de amor ao ritmo tangueiro. Um bom arranjo e uma boa interpretação dão a tônica certa à composição.

 

As duas canções seguintes voltam-se para temas tradicionais gaúchos. Rio Grande de outrora e Pingo tubiano (um xote e uma chamarra, respectivamente) são composições que se referem ao cotidiano gaudério, às proezas e ao orgulho às tradições. A faixa-título do álbum traz uma áspera crítica aos que debocham dos hábitos e costumes gauchescos. Já a outra canção faz uma homenagem ao pingo tubiano ofertado a Teixeirinha por Raimundo Bonna, amigo do cantor em Passo Fundo. Não se sabe se a história é verídica.

 

Fechando o lado A de “Rio Grande de Outrora”, temos O teu tapete – guarânia com participação de harpa e guitarra havaiana no arranjo e com tema relativo ao romantismo – e Norte e Nordeste – uma bonita homenagem às duas regiões mais distantes do Brasil em relação ao Rio Grande do Sul. Há uma curiosidade no que diz respeito a esta última faixa do lado inicial: Teixeirinha a teria composto depois de ler um livro sobre a vida do cangaceiro Lampião. Pelo teor da composição, pode-se ver que o cantor ficou em dúvidas com relação ao caráter do “Rei do Cangaço” (se era bandido ou herói), mas concluiu a história com um “acho que foi justiceiro”.

 

O lado B do álbum da Chantecler traz Crime de amor e Loirinha bonita como as duas primeiras faixas. Em ambas, o instrumental se repete, mas na primeira entram instrumentos de sopro que dão um efeito interessante à vaneira. Loirinha bonita, com a participação de Mary Terezinha, seria a última canção lançada por Teixeirinha em dueto ao lado de sua acordeonista. Apesar do disco “10 desafios inéditos” – que viria no ano seguinte – trazer a dupla em sua última performance, é em “Rio Grande de Outrora” que ambos cantam juntos pela última vez uma composição que não pertence ao gênero dos desafios.

 

Na seqüência, talvez a canção mais conhecida deste disco: Santa Catarina. A homenagem aos barrigas-verde, além de bonita, traz uma série de informações interessantes. A primeira dela é a de que seu sucesso se deu também pelo relançamento que a composição teve em 1994, no LP “Teixeirinha canta com amigos” (Warner), quando foi cantada pelo grupo Os Serranos em play-back com a voz de Teixeirinha. Outra curiosidade é que a faixa termina com os acordes de Prenda minha, clássico do folclórico gaúcho, numa possível homenagem ao mais ilustre dos catarinenses no mundo da música, o gaúcho Pedro Raymundo.

 

Mulher malvada e Meu violão abordam o romantismo novamente. Ambas são canções simples, com letra e música comuns. A novidade fica por conta de Meu violão, a primeira gravação de Teixeirinha a fazer uso da bateria. O ano, vale relembrar, é 1981. Possivelmente inclinado a seguir as tendências do mercado da época, a gravadora Chantecler começava a inserir a grande novidade da música regional daquele período em seu maior filão no gênero (o próprio Teixeirinha). Curiosamente, nas gravações seguintes a bateria não aparece novamente, ficando em seu lugar apenas a sempre utilizada percussão.

 

Por fim, “Rio Grande de Outrora” encerra com Adeus lindo rancho, a canção onde Teixeirinha se despede do seu tantas vezes cantado Rancho do Capivari. A propriedade havia sido vendida há pouco, mas a canção não repercutiu de forma tão marcante quanto as demais homenagens do cantor a sua fazenda preferida.

 

Não há muito o que dizer sobre “Rio Grande de Outrora”. Particularmente, o considero como o primeiro álbum da fase final de Teixeirinha. Desde “Menina Margarethe” (1980) até “Amor aos Passarinhos” (1985), foram oito discos long-play, dos quais alguns atingiram surpreendentes vendagens, mas dos quais também muitos não projetaram sucesso. Tudo indica que “Rio Grande de Outrora” seja um destes que alcançaram pouca repercussão.

 

Próximo Discomentando: “Disco de Ouro”

2 respostas para DISCOMENTANDO: “Rio Grande de Outrora” (1981)

  1. Gabriel Lopes disse:

    Olá a todos.Referente ao pingo tubiano o fato foi veridico sim.Este pingo é o que aparece nos filmes TROPEIRO VELHO e GAÚCHO DE PASSO FUNDO.abraços

  2. valdirene disse:

    Oi aki éa valdirene de Piratini RS gostaria de parabenizar vcs pelo ótimo programa….
    Gostaria ke mandassem um grande bj para meu pai Aldinei…
    se for atendida agradeço…bj

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