NO CORAÇÃO DO RIO GRANDE

abril 1, 2008
O texto a seguir foi publicado originalmente na edição de 7 de janeiro de 2008 do Jornal Agora de Rio Grande, RS. Ele fala de forma breve e descontraída sobre a relação envolvendo Teixeirinha e Rio Grande (minha cidade natal). Atendendo a pedidos, estou reeditando o material aqui no blog.

NO CORAÇÃO DO RIO GRANDE

Qual o cantor mais lembrado pelos gaúchos? Para a maioria absoluta dos entrevistados pela pesquisa “Top of Mind 2006” (promovida pela revista Amanhã), não há dúvidas. O maior nome da música no Rio Grande do Sul é Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha.
Realmente, é difícil encontrar alguém que não conheça Teixeirinha. Nascido em 1927 e alçado para o sucesso no início dos anos 60 – quando gravou a autobiográfica “Coração de Luto” – ele foi (e continua sendo) um dos nomes mais admirados da vida cultural gaúcha. É bem verdade que o cantor não era um artista sofisticado. Autodidata, aprendeu a ler e escrever por conta própria, não era um grande instrumentista e suas músicas só ganharam maior diversidade melódica depois que Mary Terezinha, sua parceira dentro e fora dos palcos, assumiu a produção musical do cantor. Mesmo assim, Teixeirinha arrebatou uma incontável legião de fãs, a maioria pessoas simples que se identificavam com suas canções. Era o “seu povo”.
Em 26 anos de carreira artística, cantando em teatros luxuosos ou em circos de chão batido, Teixeirinha alcançou fama, fortuna e prestígio (mesmo que a crítica o combatesse ferozmente). Suas músicas renderam-lhe êxitos inesperados. Em poucos anos, além de casas, automóveis e propriedades espalhadas pelo interior do Estado, o cantor comprou horários nas principais rádios do Rio Grande do Sul e inaugurou sua própria produtora de filmes, responsável por rodar dez longas-metragens em pouco mais de dez anos. Tanto sucesso fez com que as pessoas mais simples, que acompanhavam sua carreira, o tomassem como um símbolo, a imagem de que os pobres também vencem (afinal, antes da fama, Teixeirinha havia sido até mendigo).
Para a gente humilde, desprovida de altos níveis de escolaridade e de bons salários, Teixeirinha era um exemplo. Em Rio Grande, nos anos 1960, lotava qualquer lugar em que se apresentasse. Reza a lenda que ele era presença confirmada no pouco conhecido Circo do Biduca, lugar extremamente simples no qual o cantor fazia shows com o intento de ajudar os artistas locais. Diz-se também que Teixeirinha gostava de vir a Rio Grande, pois tinha amigos na Vila da Quinta e no Povo Novo, lugares de onde saía para incontáveis tardes de pescaria.
O público papareia, ao mesmo tempo, retribuía o carinho do cantor pela cidade. Em meados da década de 1960, quando Teixeirinha fazia sucesso com a “Milonga da fronteira”, as rádios locais tocavam a música sem parar. Nos bairros mais pobres os poucos aparelhos de rádio transmitiam a canção que embalava a árdua rotina dos trabalhadores. Aos poucos, o próprio Teixeirinha foi chegando a Rio Grande através das ondas da extinta Rádio Cultura Riograndina, que em 1973 transmitia o programa “Teixeirinha canta para o povo do Rio Grande” de segunda a sábado, das 07h30 às 08h.
Se a voz do cantor cruzava os ares para chegar pelas ondas do rádio, sua imagem cortava as estradas para instalar-se nas salas de cinema da cidade. Produtor e ator de vários filmes, Teixeirinha era um dos poucos artistas brasileiros a lotar qualquer sessão de cinema. Em Rio Grande não era diferente e, em 1969, cartazes anunciavam “um caminhão de gargalhadas” com a estréia do filme “Motorista sem limites” nos cinemas 7 de Setembro, Carlos Gomes e Avenida.
Os espectadores lotavam as salas e, não sem dificuldades, escreviam para Teixeirinha dizendo o que tinham achado dos filmes. Estas cartas, que chegavam a 10 mil por mês, eram recebidas, lidas e respondidas pelas secretárias da Teixeirinha Produções. Muito desta correspondência sobreviveu ao tempo e mostra que Rio Grande era reduto de milhares de fãs do cantor. Em 5/7/1977, por exemplo, o filme “Motorista sem limites” era descrito por um fã como “nota 10” e “jóia 3 vezes”! Ao final da correspondência o remetente dizia: “Qualquer dia irei aí para conhecê-los [Teixeirinha e Mary] pessoalmente.”
No mesmo 1977, agora em 6/12, um outro apaixonado admirador da dupla em Rio Grande declarava: “Teixeirinha e Mary Terezinha, estamos aguardando ansiosos o seu novo filme ‘Na trilha da justiça’”. Anos antes, em 1974, uma fã tratava os artistas como grandes amigos de sempre. A mesma remetente dizia ter conversado com uma parenta de Mary, afirmando que não gostaria de morrer sem conhecer os cantores. Porém, para ela, ir a Porto Alegre era um sonho difícil de ser realizado, pois as passagens custavam caro. No fim da carta, a correspondente dizia ter comprado – com muito esforço – um rádio no valor de 400 cruzeiros para ouvir os programas de Teixeirinha.
Pesquisas sempre serão importantes para medir o quanto Teixeirinha foi e é um dos maiores nomes da vida artística do Rio Grande do Sul. Todavia, as demonstrações de afeto dos fãs – como as que podemos atestar nas cartas enviadas por riograndinos para o artista – serão sempre mais significativas do que qualquer estudo.
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MUNDO TEIXEIRINHA – Edição 24

março 26, 2008

Depois de algumas semanas com poucos comentários e participações, nesta semana o blog ferveu. Foram vários comentários, sugestões e perguntas e gente que há tempos não aparecia por aqui. Ótimo, vamos ao trabalho então!

Globo?

O Julio Pedro Martins, possivelmente inspirado na matéria “Teixeirinha na TV”, pergunta se Teixeirinha nunca se apresentou na Rede Globo de Televisão. Honestamente, não tenho coragem de afirmar convictamente que não. Porém, a contar pelas parcas imagens que restaram e pelas imposições do “Padrão Globo”, é possível que Teixeirinha só tenha dado as caras na “Vênus Platinada” quando esta locava boa parte dos domingos para Silvio Santos. Mesmo assim, vou atrás destas informações.

“Sou Gaúcha”

A Rozélia Baptista pede que eu poste a capa do LP “Sou Gaúcha”, gravado por Mary Terezinha em 1978. Infelizmente, revirando meus arquivos, não encontrei a capa deste disco. Assim que achá-la podem ter certeza de que ela aparece por aqui!

“Gaiteiro Cantador”

Falando em Mary, o Fabiano Maccgnanni pergunta se a voz da chinoca que canta “Gaiteiro Cantador” ao lado de Teixeirinha é ou não de Mary Terezinha. Levando em conta a data do disco e a própria voz da moça ousaria afirmar que aquela não é Mary. Possivelmente seja alguma das cantoras pertencentes ao “segundo escalão” da Chantecler na época. Vale lembrar que eu “Ave Maria dos Noivos” uma obscura Anadélia canta ao lado de Teixeirinha. Quem seriam estas quase anônimas cantoras? Vale um desafio!

CDs esgotados

Quem acessar o site da Fundação Teixeirinha poderá ler um recadinho avisando que não existem mais CDs do cantor no mercado e que todos os estoques chegaram ao fim. A informação é verdadeira, embora ainda existam algumas lojas que possuem discos “excedentes” (como no caso do megastore Videolar). Ainda não conversei com Betha Teixeira sobre o assunto, mas imagino que novas edições estejam sendo produzidas para breve.

Fã de Carteirinha

A Elci Dal Olmo quer participar do próximo “Fã de Carteirinha”. Então, Elci, é o seguinte: mande um e-mail intitulado “Fã de Carteirinha” para chicocougo@gmail.com que entrarei em contato com você.

“Carícias de Amor”

A Márcia pede um “Discomentando” sobre o disco “Carícias de Amor”. O pedido já está registrado e será atendido em junho, pois em abril teremos o disco “Assim é nos Pampas” e, em maio, o LP “Guerra dos Desafios”.

Última canção?

A pergunta do Junior Fernandes já foi gentilmente respondida pelo amigo Gabriel, mas vale ressaltar: a última canção que Teixeirinha cantou num show foi mesmo “Quem é você agora”. Isso a levar em conta que sua última apresentação seja mesmo aquela gravada em Gravataí.

Chofer de taxi… e de praça?

O Joaquim tem a seguinte dúvida: as músicas “Chofer de Praça” e “Chofer de Táxi”, apesar dos nomes, são iguais? A resposta é sim. Embora tenham títulos diferentes, tanto a letra quanto a própria gravação dizem respeito à mesma música. Porque os nomes foram trocados? Aí eu jogo a pergunta de volta!

Músicas “perdidas”

Muitos sabem que existem algumas músicas que foram gravadas em discos compactos e hoje estão perdidas por aí suplicando para serem remasterizadas. O Carlitos pergunta, por exemplo, onde estão as canções “Baile do meu rincão” e “A mulher e o avião”. Onde estão tais composições é algo de que eu também adoraria saber. Se elas serão remasterizadas já não tenho tantas esperanças.

Desafios da Jéssica

Antes de fechar, vamos a mais uma série dos Desafios da Jéssica. Ela dá um trechinho da música e eu me encarrego de dizer o título:

“… conheço um outro que era muito conhecido…” = EMBOLADA
“… mas que tem fé na senhora…” = A BRAVURA DO PEÃO
“… fui me vingar do chofer…” = CAVALINHO TORDILHO
“… e a Copacabana…” = VINTE ANOS DE GLÓRIA
“… e misturava o carvão…” = REI DO BARALHO
“… chamei a danada…” = GAÚCHO AMIGO
“… és um moço muito forte…” = OBRIGADO DOUTOR
“… mostrar ao querido povo…” = O FILME CORAÇÃO DE LUTO
“… ela que me fez vender a querência bela…” = ADEUS LINDO RANCHO
“… e furei a bala…” = TIRO DE LAÇO
“… que fez o novo Brasil…” = PRESIDENTE MÉDICI
“… só eu não vi a minha irmã…” = A ESTÂNCIA DO MEU PAI
“… também rezo uma oração…” = NÃO É PAPO FURADO

Agradecimentos

Muito obrigado pela visita de Julio Pedro Martins, Rozélia Baptista, Fabiano Maccgnanni, Jéssica Augusto, Elci Dal Olmo, Maria, Junior Fernandes, Joaquim, Carlitos, Gabriel e Jaison. Àqueles que possivelmente tenham deixado abraços e/ou perguntas no Orkut, peço desculpas por não tê-los atendido. Acontece que os computadores da UFRGS (de onde tenho atualizado o blog e acessado à Internet) resolveram impedir a entrada no Orkut. Abraços a todos!

Fiquem agora com a última matéria preparada ainda em Rio Grande sobre uma das paixões de Teixeirinha: os automóveis. Até semana que vem!


APAIXONADO POR CARRO…

março 26, 2008


Em meados dos anos 1990, uma importante companhia petrolífera brasileira difundiu um slogan que se tornou conhecido por todos: “Apaixonado por carro, como todo o brasileiro”. Pois é, mas do que uma frase de efeito, esta assertiva é realmente verdadeira. Pesquisas comprovam que poucos povos no mundo gostam tanto do automóvel quanto nós.

A paixão brasileira pelos “autos” nasceu nos anos 1930, desenvolveu-se com mais intensidade a partir da década de 1960 e, há cerca de 25 anos, alcançou o ápice. Um vigoroso mercado, a criatividade dos desenhistas e até os oito títulos mundiais de Formula 1, conquistados por brazucas, terminaram por impulsionar esta verdadeira relação de amor entre os brasileiros e seus “carangos”.

De juventude humilde, Teixeirinha acompanhou esta evolução automobilística do Brasil – dos calhambeques às supermáquinas. Seu provável contato com o “mundo à motor”, no entanto, parece ter-se dado só em meados dos anos 1940, quando o futuro “Rei do Disco” guiaria os primeiros tratores em granjas do interior. Em 1949, seu irmão Osvaldo Teixeira, conseguiu-lhe uma colocação no Departamento Autárquico de Estradas e Rodagens (DAER). A partir daí ele assumiria o comando das pesadas retro-escavadeiras (no sul conhecidas por “patrolas”).

O tempo passou e o jovem que só guiava carros alheios cresceu, prosperou e tornou-se o maior astro da música regionalista do Brasil. Naturalmente, a fama veio acompanhada do dinheiro, o que possibilitou ao cantor realizar um antigo sonho: ter seu próprio automóvel.

O primeiro carro adquirido por Teixeirinha foi comprado em 1960, com a primeira bolada de cruzeiros que o cantor recebeu como prêmio pela exorbitante vendagem do 78rpm “Coração de Luto”. Era uma Kombi, com a qual o artista passou a excursionar.

Kombi, o primeiro automóvel de Teixeirinha

A Kombi – abreviatura de Kombinationfahrzeug (“Veículo-combinado”, em alemão) – foi o primeiro veículo Volkswagen totalmente fabricado no Brasil. Seu caráter “multiuso” era a grande vantagem oferecida pela perua, que poderia ser utilizada tanto para trabalho, quanto para passeio. O modelo adquirido por Teixeirinha em 1960 era o mais popular deles, o “Standard”, capaz de transportar até 12 passageiros. Com ele, o cantor viajou por quase todo o Rio Grande do Sul acompanhado de seu empresário na época (José Braz de Oliveira) e do gaiteiro (Ademar Silva). Nas portas da van, cartazes anunciavam a presença do artista. Durante alguns anos este foi o veículo “oficial” do “Gaúcho Coração do Rio Grande” e, em 1964, na milonga “Saudades do lar”, ele faria uma menção ao carro:

Quero chegar no meu lar na perua buzinando
Pra ver as ‘criança’ em festa na hora em que vou chegando
Quero matar a saudade que está quase me matando
Agora pára violão, não vê que eu estou chorando!
É provável que o sucesso contínuo de Teixeirinha tenha-o incentivado a ter outros automóveis. Com o tempo, adquiriu vários, chegando a iniciar uma pequena coleção. Depois da Kombi, o “Rei do Disco” comprou um Aero-Willys, um carro luxuoso e potente (ostentava poderosos 110cv). O veículo, projetado pelo norte-americano Brooks Stevens, foi um dos maiores sucessos da fábrica Willys e marcou época na carreira de Teixeirinha, pois apareceu estampado na capa de três discos (“Teixeirinha Show”, “Teixeirinha no Cinema” e num compacto com as músicas “Motorista brasileiro” e “Resposta do Coração de luto”). Não há provas, mas é de se supor que o cantor tenha adquirido dois modelos Aero, um branco e um azul-escuro.

Teixeirinha, Mary e o Aero Willys

Do luxuoso Aero Willys, Teixeirinha pulou para o “carro-conceito” dos anos 1970: o utilitário Veraneio (o de Teixeirinha tinha a placa amarela de código YA 2300). Produzido desde 1964 no Brasil, o modelo era capaz de transportar até seis pessoas. Amplamente utilizado como viatura de polícia e ambulância, o carro da Chevrolet também se tornou um dos preferidos pelos artistas de todo o Brasil. O motivo de tamanho sucesso era simples: além de luxuoso, o Veraneio era potente (149cv). Infelizmente, para os gaúchos este carro reporta o fim da carreira do cantor José Mendes, tragicamente morto a bordo da “camioneta” em 1973 e, um ano depois, homenageado por Teixeirinha com a canção “Alma penosa”:

O José Mendes tombou com seus companheiros
A Veraneio espatifou-se na estrada
Não teve tempo, nos momentos derradeiros
De dar adeus ao seu filhinho e a sua amada

Veraneio: o carro conceito dos anos 1960

Ainda falando de carros práticos, Teixeirinha possuía também uma Ford Belina, outro carro confortável, potente (chegava a 135km/h), capaz de transportar algumas centenas de litros no porta-malas e, principalmente, um automóvel econômico (12km por litro). A Belina pertencia à família Corcel e foi um dos carros mais populares dos anos 1970. Como não encontramos nenhuma foto ou menção de que este fosse mais um veículo de trabalho do cantor, podemos supor que a “station wagon” ficasse mais tempo em poder de um motorista particular, responsável por transportar as filhas e a esposa de Teixeirinha em Porto Alegre.

Ford Belina, 1970

Fechando a coleção, três carros emblemáticos. Do primeiro (um Opala), não se tem muitas informações – tudo o que se sabe é que, em meados dos anos 1970, Teixeirinha e Mary sofreram um grave acidente a bordo dele. Os outros dois, um Galaxie e um Dogde, são mais conhecidos.

O charmoso Opala de Teixeirinha numa das cenas de “Teixeirinha 7 Provas”

O Galaxie LTD de Teixeirinha era vermelho e produzido no Brasil. Fabricado pela Ford desde 1969, a versão era considerada de extremo luxo, possuindo mais de 5 metros de comprimento, painel em madeira, bancos que mais pareciam sofás, acabamento das portas em couro e câmbio hidráulico (automático). O carro, um sonho de consumo, vinha equipado de série com motor v8 e alcançava mais de 160 km/h, um absurdo para os padrões da época.

O outro “carrão” de Teixeirinha era o também famoso (e luxuoso) Dogde. Assim como o Aero, deste Teixeirinha teve dois: com um (o vermelho) o cantor gravou o filme “Meu pobre coração de luto”; o outro (em versão “sport”) aparece em “A quadrilha do Perna-Dura”. Os Dogde eram verdadeiros xodós – principalmente o vermelho. Aliás, apesar de alguns pensarem que este carro é o mesmo que aparece na canção “A Fazendinha”, a data em que a milonga foi gravada aponta o contrário. Lançada em 1971, a música provavelmente se refere ao Galaxie LTD citado anteriormente:

Eu outro dia no carro vermelho
Saí a fim de matar a saudade
E fui rever a velha fazendinha
Onde passei a minha mocidade

Dogde no filme “Meu Pobre Coração de Luto”

Curiosamente, quase todos os carros citados se tornaram famosos. Com exceção da Belina, todos eles aparecem em fotos conhecidas, capas de discos ou em trechos de filmes. Outra coincidência: todos os automóveis foram fabricados no Brasil. Sim, para Teixeirinha, a indústria automobilística brasileira era a melhor e, por isso, ele preferia comprar carros de fabricação nacional. Brasileiros, ágeis, velozes e bonitos: assim tinham que ser os “possantes” do “Rei do Disco”. É, faz parte da paixão…


MUNDO TEIXEIRINHA – Edição 23

março 19, 2008

Ainda sem um dia certo para as atualizações, venho chegando com a 23ª edição do Mundo Teixeirinha, trazendo tudo o que foi destaque sobre o “Gaúcho Coração do Rio Grande” nesta semana!

Reportagens

Os amigos Rafael Luiz, Jairo Augusto e Samuel pedem reportagens (impressas e de TV) sobre Teixeirinha. Gostaria de dizer a todos os que desejam ver estes documentos que possuo algumas reportagens sim, mas não posso postá-las por dois motivos: (1) elas estão sendo frequentemente utilizadas em minhas pesquisas e fazem parte do material que, no futuro, pretendo lançar junto à dissertação de mestrado e; (2) disponho de pouca tecnologia para publicar fotos do material. Quanto aos vídeos, continuo à procura da participação de Teixeirinha em programas de TV. Por enquanto, não encontrei nenhuma imagem disponível.

Fã de Carteirinha

O Claudiomar de Oliveira agradeceu profundamente pela matéria “Fã de Carteirinha”, publicada na semana passada. Ele, assim como o grande amigo Arnaldo Guerreiro, sentiram-se emocionados por serem lembrados como fãs do Rei do Disco. E você, também quer aparecer em nossa galeria sobre os grandes fãs de Teixeirinha? Então envie um e-mail pra chicocougo@gmail.com e responda um pequeno questionário. Quem sabe você não é o “Fã de Carteirinha” de maio?

Agradecimento especial

Há pouco mais de 15 dias morando em Porto Alegre, começo a perceber que esta cidade é um manancial infinito de informações sobre Teixeirinha. Na semana passada, fui muito bem recebido (como sempre) pela Betha Teixeira na Fundação Teixeirinha. Ontem foi a vez de por a mão na massa e começar a viver mais intensamente esta pesquisa. Daí, nada melhor do que uma visita à Glória, endereço ilustre de Teixeirinha. Mais uma vez, fui muito bem tratado pela simpatissíssima dona Zoraida Teixeira. Muito obrigado a todos pela acolhida!

Agradecimentos

Agora sim, os agradecimentos de praxe! Muito obrigado pela visita e um grande abraço ao Rafael Luiz, Jair Augusto, Plínio Menegon, Samuel, Claudiomar de Oliveira, Arnaldo Guerreiro e a todos que visitaram e não deixaram mensagens. Grande abraço!

E agora, deixo com vocês a matéria “Teixeirinha na TV”. Vale a pena conferir!

FELIZ PÁSCOA A TODOS!

TEIXEIRINHA NA TV

março 19, 2008

Teixeirinha no Programa Bibi Ferreira (TV Excelsior, São Paulo, 1961)

Rádio, cinema e disco são assuntos característicos na carreira de Teixeirinha. O que nem todos sabem ou se lembram é que o cantor também andou se arriscando pela televisão. E, como veremos a seguir, ele até que era bem requisitado pela “caixinha mágica”.

Não há uma data precisa da primeira aparição de Teixeirinha na TV. O que se sabe, entretanto, é que ele foi convidado a apresentar-se nela a partir do fenômeno “Coração de Luto”, no início da década de 1960. Por esta época, a TV Record de São Paulo (canal 7) batia de frente com as poderosas Tupi e Excelsior quando o assunto era audiência. Enquanto estas duas investiam pesado em telenovelas, a Record experimentava uma outra estratégia, destacando-se na transmissão de eventos esportivos e, principalmente, de programas musicais.

Na TV Record, Canal 7 de São Paulo

Na linha de shows do canal 7, fazia sucesso o programa Astros do Disco, apresentado por Randal Juliano aos sábado à noite. Segundo Paulo Cesar Araújo (no censurado “Roberto Carlos em detalhes”), “o programa era semelhante ao carioca Noite de Gala, da TV Rio: um programa musical com grande orquestra no qual os convidados só podiam se apresentar vestidos de smoking. Astros do Disco destacava a parada de sucessos, lançamentos recentes e, às vezes, uma ou outra antiga canção num quadro de flashback. Era o programa musical de maior audiência e prestígio da televisão paulista. Aparecer no Astros do Disco era o desejo de todo artista de música popular (…)” (p.153). Pois bem, lá por 1961, Teixeirinha deu as caras no Astros do Disco!

Naquela época, o “Gaúcho Coração do Rio Grande” era a revelação do ano. E foi das mãos do apresentador Randal Juliano que o cantor recebeu o título de “Rei do Disco”, representado por um pequeno troféu. Ainda em 61, a consagração: depois de quebrar todos os recordes de vendagem, Teixeirinha arrebataria o afamado Troféu Chico Viola, a maior premiação musical do país e que também era transmitida pela TV Record.

Teixeirinha recebe o Troféu Chico Viola em 1963
Durante toda a primeira metade da década de 1960, Teixeirinha se apresentou nos principais programas da televisão brasileira. No canal 9 (TV Excelsior), foi convidado especial do programa Bibi Ferreira (onde divulgou seu primeiro LP). Naquele mesmo período, ele se apresentou nas atrações de Ivon Cury (o popular Bolinha) e do “Velho Guerreiro” Chacrinha.

Mas, passado o frisson inicial de “Coração de Luto”, Teixeirinha parecia fadado a desaparecer. No final dos anos 1960, entretanto, ele e a principal emissora de TV do país na época – a TV Tupi – descobririam um filão de audiência: a polêmica. Não se sabe ao certo quando tudo começou, mas as histórias convergem para dois programas clássicos daquela época. Um era o “Quem tem medo da verdade?”, produção sensacionalista na qual, semanalmente, uma personalidade era julgada por suas atitudes (isso mesmo!) num júri composto por críticos, jornalistas e até outros artistas. O outro programa era o conhecidíssimo “Um Instante, Maestro!”, comandado pelo ultra-polêmico Flávio Cavalcanti.

O programa de Flávio Cavalcanti – apresentado diretamente dos estúdios da TV Tupi do Rio e campeoníssimo no Ibope– era um dos poucos transmitidos ao vivo e em rede para todo o Brasil. Nele, cantores e compositores já consagrados eram analisados por um corpo de jurados. Os reprovados tinham seus discos destroçados pelo apresentador. Quando Teixeirinha aparecia por lá o público e até o júri irrompiam em palmas. Cavalcanti, entretanto, balançava a cabeça e, não raramente, exclamava: “Horrível!”. Geralmente os discos de Teixeirinha eram quebrados e, a cada semana, fervia uma nova polêmica envolvendo ambos. Em 1971, em entrevista à revista Rainha, o cantor demonstrou o que pensava sobre tudo aquilo: “O programa é para combater mesmo. Para causar sensação. Ele [Flávio Cavalcanti] visa muito vender e se promover com isso, e a gente aproveita e vende bastante também na carona (risos)”.

Se aos domingos à noite o “Rei do Disco” figurava na Tupi do Rio, aos sábados à tarde ele tomava conta da TV Piratini (emissora irmã da Tupi, já que ambas pertenciam aos Diários Associados). Isso mesmo! Nos início dos anos 1970, quando as emissoras ainda engatinhavam em suas organizações enquanto rede, ia ao ar diretamente dos estúdios do canal 5 de Porto Alegre, o programa Teixeirinha Sem Limites. A atração era apresentada por Ivo Paim (amigo íntimo de Teixeirinha) e contava com números musicais, piadas, “causos” e outras atrações encabeçadas pelo ídolo gaúcho e sua partner, Mary Terezinha. O auditório da Piratini ficava lotado para assistir ao programa, que era patrocinado pelas Pilhas Everady (num contrato que, especula-se, tenha sido milionário na época). Apesar disso, a audiência não era das melhores, pois em geral o público de Teixeirinha era composto pelas camadas mais pobres da população, pessoas que podiam ouvi-lo facilmente pelo rádio, mas que não tinham condições de adquirir o caríssimo aparelho de TV. Algum tempo depois da estréia, o Teixeirinha Sem Limites chegou ao fim e o cantor retornou ao seu “habitat natural”, o rádio.

Nos anos seguintes, Teixeirinha seria presença freqüente nos programas J. Silvestre, Viola, Minha Viola (apresentado por Inezita Barroso) e Silvio Santos. No Rio Grande do Sul, foi algumas vezes convidado por seu amigo Antônio Augusto Fagundes para o Galpão Crioulo da TV Gaúcha (atual RBS TV). Depois de sua morte, a mesma RBS produziria documentários e programas em homenagem ao “Gaúcho Coração do Rio Grande”. Mas esta já é outra história…


PEÇA A LETRA

março 14, 2008

No “Peça a Letra” desta semana, a música “24 de Agosto”, gravada em 1962 no LP “Saudades de Passo Fundo” (Chantecler).
*
Vinte e quatro de agosto
A terra estremeceu
Os rádios ‘anunciava’
O fato que aconteceu
As nuvens cobriam o céu
O povo em geral sofreu
O Brasil cobriu de luto
Getúlio Vargas morreu
*
Vocês ainda se recordam
Daquela grande eleição
Ele não queria mais
Ser o chefe da nação
Mas o Brasil lhe chamava
Vem cumprir sua missão
Foi por vontade do povo
E a morte fez a traição
*
O Brasil foi abalado
Foi triste no mundo inteiro
Todo mundo lamentando
O destino traiçoeiro
Por ter vindo nos roubar
O maior dos brasileiros
Getúlio deixou saudades
Foi bom e hospitaleiro
*
Seu nome ficou na História
Pra nossa recordação
Seu sorriso era vitória
Da nossa imensa nação
Com saúde ele venceu
Guerra e revolução
Depois foi morrer à bala
Pela sua própria mão
*
O doutor Getúlio Vargas
Nos deixou grande saudade
Deus lá no céu é tão bom
Dele tenha piedade
Os corações brasileiros
‘Pede’ a Deus, por caridade
Ampare ele nos seus braços
Lhe dê paz na eternidade

Um pedido de Fabiano Maccgnanni

MUNDO TEIXEIRINHA: Edição 22

março 14, 2008

Mais uma semana de correria e mais um “Mundo Teixeirinha” curtíssimo! Ao trabalho!

Discomentando

Só para constar: em abril o disco protagonista da coluna “Discomentando” será o “Assim é nos Pampas”. Em maio é a vez do “Guerra dos Desafios”. Sempre, claro, atendendo a sugestões!

Jorge Camargo

É com grande alegria que recebi, nesta semana, mensagens do amigo Portalete, que pretende realizar pesquisas sobre o cantor Jorge Camargo. Quero expressar aqui o meu desejo de boa sorte e que a história deste cantor seja a cada novo dia, plenamente resgatada.

A Gaita Nua

O Plínio Meganon pergunta onde pode encontrar o livro “A Gaita Nua”, autobiografia de Mary Terezinha. A pergunta é frequente, mas o endereço já está quase decorado aqui na memória: http://www.livrosbrasil.com.br/

Agradecimentos

Quero agradecer a todos os que deixaram mensagens e elogios ao novo visual do blog e dizer, ainda, que – infelizmente – meu acesso à Internet ainda está restrito e, por esta razão não tenho respondido a maioria dos e-mails e scraps que chegam. O meu abraço especial aos amigos: Fabiano Maccgnanni, Cristina, Samuel, José, João, Portalete, Plinio Meganon, Arnaldo Guerreiro, Claudiomar de Oliveira e a todos os que passaram mas não deixaram recado. Muito obrigado!

E agora, o Fã de Carteirinha especialíssimo com o grande amigo Claudiomar de Oliveira! Espero que gostem!